Anúncios !!!


Cat-1

Cat-2

Anúncios!!!


Poesia

ColunaDireita

Catago Vazio2

Coluna Filosofia


ANÚNCIOS!!!


» » Rubenio Marcelo: SOLITUDE e outras poesias

Fotografia de Isabel Furini


SOLITUDE


Hoje eu quero soltar meus cães-pastores
Pelas ruas desertas do meu ser...
Deixar minha cerviz espairecer,
Vivendo a solidão dos desertores.

Eu preciso sondar os corredores
Que me levam – às vezes, sem querer –
Às sombrias visões de um quefazer
Recostado na fronte dos andores...

Hoje eu quero somente a calmaria
Do florete que adorna a penedia
Que comprime o vão do meu pelourinho.

Nesta noite eu só quero os braços meus
Procurando o meu vulto. E peço a Deus
Pra que me deixe assim: um ser sozinho!

Rubenio Marcelo





Fotografia de Isabel Furini


ESTAÇÕES DOS VERSOS MEUS

Diversos destinos adormecem
nas estações dos versos
que atravessam
as pontes do meu olhar.

Meus olhos sabem de cor
as trilhas inalcançadas
que se escondem
em paisagens de solidão.

Os versos que me percorrem
voam nas brancas asas
dos pássaros da manhã...
E retornam no gorjear de um sonho
que eu fecundo
na face do horizonte...

Ah... estes versos insones
trazem segredos de nuvens
e olores de lírios transitórios...
Abrem novos caminhos,
bailam na chuva, colorem jardins
entre brisas marinhas
e girassóis de pedra...

Ah... estes versos versáteis
que enxugam o pranto da primavera,
vencem os ofícios dos vendavais
e seduzem o silêncio
das noites outonais.


 Rubenio Marcelo


                                                  *    *    *



AS EFÍGIES DA NOITE, AS TRANSCENDÊNCIAS DO DIA E OS GORJEIOS DO AMANHÃ


A noite foi de esquecer.
A madrugada não me trouxe
o sorriso da lua.
A caligem da noite fez-se montanha
e espreitou as nesgas do meu pranto.
Já é dia...

Coágulos de ausência
e pálidos rastros de poemas
evolando dilemas
estão mirando o meu olhar deserto
na manhã silente...

Ah, certamente
esta efígie aflita que me acenou
e as sombras desta solidão,
quais fantasmas de longos braços,
irão querer me acompanhar.
No elevador, elevarão as dores
que não levarei pra rua.

No sinal vermelho
ficarei fechado, rádio desligado
e eu conectado
com recantações acorrentadas no tempo.



Depois, seguirei sereno
e até sorrirei
segurando a barra
e contemplando a direção...

Na lida, dividirei as romãs
que trago fecundando
a clarividência do sonho...

No final da tarde,
renovarei meu rosto
no espelho da esperança,
beberei no imperecível graal da essência
e sorrirei os madrigais da alma...

E, ao voltar pra casa,
entrarei em pujante sintonia
com a liberdade dos colibris
e o donaire dos roseirais...

Amanhã, cedinho,
ouvirei gorjeios
de canários imaginários...

Com eles, voarei por entre nuvens
e apendoados milharais...

Rubenio Marcelo


                                 *    *    *


RIMAR
(ou: “Sete Cantigas para Maria”)

I.
Se um dia a Maria
quisesse rimar
será que no mar
ela rimaria?

II.
... certamente o mar
sorrindo traria
a doce magia
pra ela rimar


Fotografia de Isabel Furini


III.
e em terno exclamar
Maria faria
bela parceria
com a rima do mar



IV.
e para arrimar
uma poesia
ela firmaria
fecundo pomar...

V.
assim, nesta esgrima,
em grã calmaria
ela ficaria
primando na rima

VI.
ou, ante o tal clima,
ela cismaria?
e assim armaria
efêmero emplumar.

VII.
e no miramar
eu só miraria
a minha Maria
na rima do mar!

Rubenio Marcelo


HORIZONTES D’VERSOS


Dispersos vão meus horizontes...
Horas antes e depois dos versos,
despeço-me do rude calendário.

Ontem, hoje
             encontrei versos,
sensíveis, verdadeiros, esparsos, diversos,
horizontais, no sentido horário...

No meu fadário encontro versos
incontroversos, abstersos...

Expressos em gestos tersos
pulsam meus versos
                      sentimentais;
em universos afáveis
e às vezes perversos. Perenais...

Mesmo em dias transversos,
apresso o passo,
ingresso em espaços impessoais,
não tergiverso, acolho versos...

Neles, meus horizontes
verdejam fontes
universais!...

Rubenio Marcelo


                                 *    *    *





RUBENIO MARCELO é poeta, membro da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras (Cadeira nº 35). É autor de dez livros publicados e dois CDs, e sua obra mais recente é o livro de poemas ‘Veleiros da Essência’. Destacam-se também em sua produção os livros “Reticências”, “Graal das Metáforas”, “Horizontes d’Versos”, e “Voo de Polens”.  Também revisor, palestrante e advogado, reside em Campo Grande/MS.

«
Próxima
Postagem mais recente
»
Anterior
Postagem mais antiga

Editor da Revista Carlos Zemek

Curador e Artista Plástico.
Membro da Academia de Cultura de Curitiba - ACCUR.

Nenhum comentário

Faça um Comentário!



ANÚNCIOS!!!


Eventos Culturais

Conuna1Inferior

Catalogo Vazio3

Anúncios!!!

Livros Digitais