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» » Eloir Jr :Chic-Chic de Curitiba e a Arte da Gargalhada!

Matryoszka Palhaço Chic-Chic – Obra de autoria do Artista Eloir Jr.

Dez de dezembro, e a data na “folhinha” fica mais animada, colorida e alegre, é o dia universal do palhaço e há 35 anos a efeméride é celebrada no Brasil com uma bela palhaçada.

Estes artistas cômicos são talentosos profissionais do entretenimento e têm como objetivo o labore das gargalhadas, divertindo e despertando sorrisos nas mais diversas faixas etárias e classes sociais. A data nasceu para homenagear esses atores do riso, que ficaram populares através de suas participações sob as lonas dos circos. Afinal de contas, um circo sem palhaço não é nada divertido!

E para celebrar dezembro, escrevo sobre o ícone particular de minha infância e de muitas crianças curitibanas, que hoje são adultos e com certeza guardam em suas memórias a imagem do palhaço Chic-Chic e sua célebre chamada: - Pula Violeta!, quando se dirigia a sua cachorrinha de pano para subir em seu colo. Violeta era costurada à mão, com marcas de alinhavo e tendo como guia uma corda de sisal.

Na arte circense, Chic-Chic nasceu Otelo Queirolo e a história de sua família inicia a mais de cem anos na Itália com o genovês José Queirolo.

Este italiano, “tornou-se cantor de óperas. Viajou, conheceu e casou com Petrona Salas, na Igreja Del Socorro, em Buenos Aires, em 10 de outubro de 1881. Dois anos depois nascia Francisco (Poncho), o primeiro filho, seguido de mais oito irmãos: Alcides (Gato Félix), Irma (avó da nossa grande atriz Bibi Ferreira), Carlos (Chicharrão), Aída, Maria Ester, Julian (Harris), Otelo (Chic-Chic) e Ricardo (Negrito). Com a morte do pai, a mãe Petrona, ensinou aos filhos as atividades circenses. Criou-se então o Grupo dos Irmãos Queirolo, que se apresentavam nas ruas, ainda pequenos com números de acrobacia”. Fonte: www.queirolo.com.br/historia


Circo Irmãos Queirolo no Uruguai em 1912
Fonte: WWW.carapinhe.wordpress.com

Após uma década, a trupe cresceu e obteve grande reconhecimento devido às apresentações pelo mundo, tendo seu primeiro contato com o Brasil em participação na inauguração do Teatro Amazonas em Manaus.

Já em Julho de 1917, a família Queirolo chega ao Rio de Janeiro, Capital Federal do Brasil nesta época, e inauguraram ali, o Circo dos Irmãos Queirolo, tendo como característica uma clássica e forte maquiagem de palco. Nasce também neste momento à famosa Banda do Circo Irmãos Queirolo, uma tradição que durou pelo menos 08 décadas tocando para o público de Chic-Chic ritmos como, valsas, marchas e maxixes que em 1942 passou a denominar-se Jazz Queirolo e, em 1960 transformada por Lafayette Queirolo (sobrinho de Chic-Chic) na Bandinha dos Palhaços, tornando-se a primeira do gênero no País e que durou até a década de 1990.

Otelo Queirolo se maquiando. Seqüência fotográfica feita por Cid Destefani no Pilarzinho em Curitiba. Meados de 1960.
Fonte imagem: Acervo Cid Destefani – Gazeta do Povo – Coluna Nostalgia
Registros históricos narrados no livro “Trajetória da Família Queirolo” do jornalista Luiz Andrioli, nos conta que a família de artistas fez seu primeiro espetáculo na Capital Paranaense em 1919 e após muitas passagens e apresentações no município se estabeleceram em 1930.

“Em agosto de 1942, o prefeito de Curitiba concede al­­vará a Esperândio Domingos Foggiatto para armar pavilhão de circo num terreno per­­tencente a Victor do Ama­­ral, na esquina da Rua Mare­­chal Floriano com Pedro Ivo. Não foi o maior circo que passou por Curitiba, mas foi o me­­lhor que ficou na cidade por quase uma década. O Pa­­vilhão Carlos Gomes, como foi denominado, pertencia ao empresário Adolfo Bianchi e apresentava espetáculos de variedades, em razão da cidade não estar provida de teatros: o Guayra estava desativado assim como o Teatro Hauer, este em razão da guerra.
Por volta de 1946, a trupe dos irmãos Queirolo é contratada para se apresentar na­­quele pavilhão. Ficando ali por mais de três anos com seus números circenses. “Chic-Chic, como líder da família, ao encerrar as atividades no pavilhão, tornou a erguer sua própria lona ficando a girar pelos bairros curitibanos”. Fonte: http://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/colunistas/nostalgia/pula-violeta-3ij3fw4oulw8r8rcl7nluu4b2
Fonte imagem: Acervo Cid Destefani – Gazeta do Povo – Coluna Nostalgia

Um dos pontos altos das apresentações era a entrada e encenação do então Patriarca da família, o palhaço Chic-Chic, vivido na época por Otelo Queirolo, que durante o espetáculo com sua cadela de pano Violeta, sempre “puxada e arrastada” por uma corda em que, de vez em quando, o palhaço dava-lhe um puxão apanhando-a em seu colo ao mesmo tempo em que gritava: Pula Violeta!

Entre as décadas de 1960 e 1970, a família de artistas também trabalhou na televisão, sendo parte integrante num dos programas mais importantes, o Clube do Capitão Furacão, no antigo Canal 12, hoje RPC-TV, que era ali na Rua Emiliano Perneta, quase em frente à Escola de Música e Belas Artes do Paraná, onde hoje funciona um estacionamento.

Clube do Capitão Furacão, no antigo Canal 12
Fonte imagem: WWW.bemparana.com.br
O símbolo da trupe dos Queirolo, o irreverente e irônico Palhaço Chic-Chic falece em 1967, sendo substituto por “Chic-Chic Jr.”, interpretado por seu sobrinho, Lafayette Queirolo.

Lafayette Queirolo – Chic-Chic Jr.
Fonte imagem: WWW.agitocuritiba.com.br


De lá para cá, Chic-Chic Jr. incorpora a irreverência de seu tio, adota a pequena Violeta, veste-se de ternos exóticos, ora com acompanhamento de uma bengala, ora com um gigante relógio de bolso, e assume o imaginário das platéias formadas a partir da década de 1970. Adultos o aplaudiram e crianças cresceram assistindo a espetáculos deste artista e levando em suas memórias as agradáveis interpretações de Chic-Chic Jr.


De minha infância assistindo a trupe, lembro muito bem, e a descrevo a partir de alguns momentos vividos em espetáculos e pela ansiedade da chegada do circo dos Irmãos Queirolo. Como cresci na década de 1970, acompanhei boa parte dos shows da família de artistas. Residia em fronte a Praça 29 de Março, nome batizado em homenagem a data do aniversário de Curitiba, e todos os anos a Prefeitura em pareceria com o Supermercado Senff (na época era do outro lado da Praça), celebrava a data com festas e apresentações da turma do Chic-Chic Jr., era a alegria da criançada que se uniam na parte central do logradouro para participar dos shows do mestre Lafayette.  Não perdia um ano sequer destas comemorações, lembro que durante o evento, o próprio Chic-Chic Jr. convidava as crianças para participar de algumas interpretações, e é lógico que eu estava lá, pronto para me aproximar deste ícone de minha infância. Estando com ele, fazíamos as brincadeiras e depois ganhávamos doces e alguma lembrança, tudo isto com direito de se aproximar também da pequena Violeta, que em súbito descuido de criança, e o palhaço de posse desta distração, rapidamente clamava o seu bordão: -Pula, Violeta!, e nós crianças, tomávamos um grande susto que rapidamente se tornava uma imensa gargalhada. E assim seguiram alguns anos e eu acompanhando aos espetáculos que não se restringiam somente a Praça, mas também sob as lonas do circo da grande Família Queirolo.

Infelizmente Lafayette Queirolo nos deixa em 1996, levando consigo o mágico personagem Chic-Chic Jr. Hoje, sua Violeta, algumas de suas vestes, adereços e fotografias, repousam no Salão Queirolo, criado no Jokers Pub, na Rua São Francisco em Curitiba em homenagem a família de artistas.

Salão Queirolo no Jokers Pub em Curitiba – Memorial da família Queirolo
Fonte imagem: Jokers Pub

Otelo e Lafayette, tio e sobrinho, passeiam nas lembranças de muitos adultos que vivenciaram a atuação destes mestres da arte Circense, e a Cidade Sorriso os imortaliza com logradouros públicos, podendo nós, sedentos de nostalgia, reverenciá-los passeando pela Rua Otelo Queirolo no charmoso bairro do Bigorrilho ou divertir-se na Praça Lafayette Queirolo no bairro do Uberaba.

Eloir Jr.

Praça Lafayette Queirolo no Uberaba e Rua Otelo Queirolo no Bigorrilho
Fonte imagem: Google maps






ELOIR JR. é artista Plástico curitibano, pós-graduado pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná e graduado pela Universidade Tuiuti do Paraná, colunista cultural do Sztuka Kuritiba, curador e professor de arte. Há 20 anos é estudioso das etnias europeias no Estado do Paraná, com enfoque principal na cultura eslava da Polônia e Ucrânia, onde expressa seus trabalhos em harmonia com ícones paranistas; araucárias, pinhões e gralha azul.
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Editor da Revista Carlos Zemek

Curador e Artista Plástico.
Membro da Academia de Cultura de Curitiba - ACCUR.

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