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» » José Aparecido Fiori: Poetar é preciso, viver não é preciso

                                                                                                                                 Prosa Poética

Quem me dera menestrel, trovar de cor o desafio de fio a pavio, declamar sem papel um repente de cordel, trepar de rapel a torre de Babel.

Quem me dera o dia não fosse cinzento, o sol sorrisse à noite escura, as estrelas brilhassem forte no breu do céu, com asas de Ícaro subisse às nuvens, Prometeu prometesse a mim, amarrado ao caos, desacorrentar-me  do Cáucaso.


Quem me dera o clima não fosse frio, o mar não fosse  lágrimas de sal, o deserto tivesse um oásis, o camelô não camelasse em vão venal, só andasse no carrossel, longe do mal, vendendo versos a granel.

Que me dera, o velejador a vela os ventos melífluos nele soprassem, as flores fluíssem mel.

Nós poetas indômitos com seus pseudônimos heterônimos demônios.
Nós os declamadores, dublês de atores, play back  de compositores, costumeiros fazedores de gingles customizadores de costumes, cantores de caraoquê.
Poetadores de prosa, prosadores de poesia, intérpretes quiçá do saber.

Nós, os sans-culottes da revolução, os sem culotes descuecados, os sem celulites mágicos como o faquir, temos que ter culhões para sermos cuecas de plantões.
Poetar é preciso, viver não é preciso.
Poetas são aqueles cuja poesia magnetiza em abraços de amassos, os lábios colam se em beijos, os corpos se unem em um só, o espírito absoluto levita a delirium tremens de desmaiar.
Poetar é trepar nos píncaros e despontar nos pináculos, imantar o hímen yin e o pênis yang num só corpo em comunhão transubstanciar.
Poetar é copular pensamentos e letras, atingir o clímax da poesia na orgia do pleno e plenipotenciário ato sexual.
Poetar é um poema de penar, o suor da pele expelir pelos poros, a porra na púbis e pelos esguichar, os pentelhos a se afofar para descansar e baterem palmas de tanto esporrar.
Poetamos no teatro, na rua, em qualquer lugar como menestréis mambembes e os nossos bonecos mamulengos prestidigitar.
Não há poetas, não há como os filhos do Paraná.

Poetar é prosa, prosear é poesia.
Poetar é foda, tem que ter feeling.
Poetar é expectorar versos para o universo num abraço se entrelaçar.
É desfilar ao fundo do desfiladeiro, ouvir a cascata do rio cristalino do cânion em coro recitar.
Poetar é sofrer o bullying das flores, o espinho da rosa te espetar, os grãos de pólen ao vento espirrar, o nariz e os olhos coçar, a semente do bem plantar, a do mal suplantar.
Poetar é o pênis introjetar, o esperma o útero da terra engravidar, o fruto nascer, a planta crescer, as flores florir, o fruto colher.
Poetar é revitalizar o Eros sem erro, sem lero-lero, impor-se insistente contra o ímpeto assassino permanente de morrer ou matar.
Poetar é sofrer e amar, seguir em frente, deixar a vida levar, esperar a morte chegar.
Poetar é mirar-se só, ver o sol nascer, ver o sol morrer, viver ao léu incréu ao céu dará, beber da fonte das águas doces que correm sem estancar para o mar dessalgar, as lágrimas de sal adoçar.
Poetar é meter o espinho no pistilo da rosa, comer o gineceu da flor e gozar.
Não há poetas, não há como os filhos do Paraná.

Poetas que admiro:

Emílio de Menezes
Emiliano Perneta
Júlia da Costa
Palminor Rodrigues Ferreira
Liberalino Estevan
Paulo Leminski
Helena Kolody
Carmen Carneiro
Valmor Marcelino

Alice Ruiz
Antonio Thadeu Wojciechowski
Regina Bostulim
Arriete Rangel de Abreu
Félix Coronel
Fernando Nandé
Batista Pilar
Betinho da rua São Francisco
Angel Popovitz
Sinval Silveira Pinto
Cirlei Fajardo
Rosiane Ceolin





José Aparecido Fiori, paranaense, nascido em Ibiporã, jornalista formado em Comunicação Social/UFPr, e Filosofia/PUC.  Estudou Teologia no Studium Theologicum de Curitiba. Autor dos livros "Textos para Ouvir", "Acontecências" e "Dom Quixote Curitiba". Ganhou vários prêmios de Reportagem e Literatura. Trabalhou como redator do jornal Gazeta do Povo, Jornal do Estado. Prestou assessoria de imprensa a várias entidades públicas e privadas.
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Editor da Revista Carlos Zemek

Curador e Artista Plástico.
Membro da Academia de Cultura de Curitiba - ACCUR.

4 comentários

José Aparecido Fiori: Poetar é preciso, viver não é preciso
  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Parabéns Isabel Furini e Carlos Zemek por mais uma bela edição da revista - vocês são maravilhosos! Gostaria de agradecer também ao jornalista, José Aparecido Fiori, por ter citado meu nome na sua matéria. Fiori é um dos escritores que muito admiro, além de muito inteligente tem um amplo vocabulário, o que faz dele um poeta peculiar!

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  4. FIORI, um dos maiores jornalistas e escritores do Paraná. Parabenizo a revista Zemek pela publicação. Isabel Furini e Carlos Zemek, como sempre resgatando talentos. O trabalho que fazem pela cultura do Paraná é estupendo.

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