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O nome era precioso e a pessoa também. Pérola. A moça tinha vergonha do nome, às vezes. Às vezes não. As pessoas perguntavam de onde a mãe dela tirou esse nome, ela só respondia que cada um escolhe o nome que quer para dar aos filhos e os filhos não podem mudar. Fazer o que?
Trabalha no INSS, no setor de benefícios bem em frente às Lojas Americanas e mora em um prédio antigo em uma rua estreita perto da Praça Tiradentes. Tudo pertinho, por isso vai a pé trabalhar.
É uma moça tranquila, cheia de amigos, vai à igreja, visita os pais que moram em Ponta Grossa e os avós que moram em Castro. Faz Faculdade de Psicologia à noite e sai com os amigos nos finais de semana. Mora com duas amigas no pequeno apartamento e vai casar no final do ano. Poucas novidades no dia a dia de uma moça do interior que veio para a cidade grande fez concurso em órgão público, vestibular em Universidade paga que é custeada com bolsa e consegue pagar o seu próprio sustento e ainda fazer um enxoval às antigas, bem ao gosto da avó italiana.
O ano é 1995, onde tudo começa a ficar diferente. Onde Forrest Gump é o filme do momento e Skank canta Pacato cidadão, Pérola faz biquinhos de crochê nos panos de prato, ao mesmo tempo em que estuda Jung, Piaget e Freud.

Todos os dias no caminho de volta do trabalho, encontra uma família de catadores de papel: pai, mãe e filho de uns 12 anos. Nunca tinha percebido que a mãe estivesse grávida até o dia que passando bem perto, viu a mulher muito magra espreguiçando-se na calçada e a pequena barriga saltou da camiseta curta. Pérola parou e ficou olhando:
― Nossa! Você vai ter um nenê! Que lindo!

A mulher meio franzida pelo sol e pelos anos que já iam, ficou envergonhada de ter exposto a barriga sem querer e imediatamente puxou a camiseta e deu um passo para trás, deixando a moça passar.
Pérola que tinha acabado de passar na padaria, entrega instintivamente para a mulher a sacola contendo pão, queijo, presunto, leite e um pedaço de bolo.
― Tome, para vocês. Para o nenê nascer forte. Parabéns.
― Deus que ajude. - Foi o que a mulher conseguiu falar antes que Pérola desaparecesse na esquina.

Pérola foi feliz para casa. Subiu os quatro lances de escadas até o apartamento e entrou toda sorridente. As amigas perguntaram se ela tinha visto passarinho verde.
― Não, eu vi uma barriga de grávida.
― Cadê o pão?- Pergunta a amiga que está fazendo o café.
― Ih, Lúcia, eu dei para a catadora de papel. Deixa que eu vou de novo comprar. - Pérola pega a carteira e sai correndo de volta à padaria para comprar tudo de novo.

As amigas nada entendem, mas esperam a volta da moça com as devidas explicações.
Nas semanas seguintes Pérola sempre dava um jeito de passar por aquela rua e deixar algum tipo de ajuda para a família. Ou que eram umas revistas velhas, jornais, listas telefônicas, pães. Até que a mãe não veio trabalhar por longos dias. O bebê tinha nascido!

Ela comprou um tiptop e um cobertor e deixou com o pai como presente. Na outra semana, lá estava a mãe com a criança nos braços em pleno inverno de Curitiba, mas com o cobertor amarelinho que ela tinha dado. Pérola foi ver o bebê tão pequeno e conversar com a mãe muito magra:
― Como é o nome dela?
― Terezinha.
― Ela está bem?
― Não muito. Ela tem muito salúcio. Cada vez que eu dou feijão com arroz prá ela, ela salúcia.
― Nossa. Mas você não pode dar feijão com arroz para um nenê tão pequeno. É só leite do peito ou leite na mamadeira, ela pode se afogar. Não faça mais isso.
― Eu dô, mas as veiz ela num qué. Por isso que eu fui dá arroz com feijão amassado.

Pérola saiu dali com o coração apertado. Onde já se viu aquilo? Feijão com arroz para um bebê de 10 dias? Por isso que a coitada da Terezinha estava com soluço!
Na outra semana a família não apareceu. Pérola foi e voltou para casa com pilhas de jornais, uma mamadeira e leite em pó para bebês. Ela estava decidida a ajudar a mulher a alimentar direito àquela criança. Na segunda feira estavam os 3 lá. Ela foi contente falar com a mulher. E já ia abrir a sacola com as coisas dentro quando não viu o bebê.
― Cadê a Terezinha?
― Morreu.
― Como assim?
― Deu aqueles salúcios nela e não parou mais. Quando voltei, ela já tinha morrido.

Pérola nem perguntou: soluço porque deu mais feijão com arroz? Voltou de onde?
Às vezes é melhor não saber para que esta lembrança não fique para sempre morando em nossa cabeça, como se fossem ratos no sótão. Deixa para lá.
O casamento seria nas próximas semanas mesmo e ela mudaria o trajeto. Provavelmente nunca mais iria ver aquelas pessoas. Nunca mais se lembraria da pobre Terezinha e do engasgo com feijão com arroz.

Meses se passaram. Pérola casou e mudou-se para o apartamento pequeno, mas agora era só deles, na Rua Dr. Muricy. Tinha um quarto apenas, mas era bem arejado e tudo novinho, comprado com o salário dos noivinhos.
Uma família de catadores de papel se instala para comer na calçada em frente à janela onde Pérola trabalha. Toda tarde a família coloca seus carrinhos no pequeno gramado e fazem as refeições e se ajeitam como dá. O segurança já os expulsou dali várias vezes, mas é só fechar as portas e os funcionários saírem que eles voltam e ali ficam. Depois pegam seus carrinhos e vão embora.
Pérola já se acostumou com eles. As crianças ficam esmagando o nariz no vidro e fazem careta para ela. Ela dá tchauzinho e sorri para todas. Já desenhou bocas sorridentes, macaquinhos, cachorrinhos em folhas e fica mostrando para as crianças. Parou com isso quando um dia uma das crianças desenhou um sanduíche e mostrou para ela. Parou também de dar tchauzinho quando viu uma das mulheres com uma enorme barriga já para ter bebê.
Aquela lembrança da Terezinha voltou. Ela sentiu- se culpada. Pensava que se ela tivesse tomado uma atitude com a mãe naquele dia, se, se, se...
Mudou de mesa. Foi falar com sua chefe e pediu para trocar de mesa por uns dias. Foi ótimo. Assim não ficava vendo aquela outra “mãe de Terezinha” ali na sua frente.
15 dias haviam se passado e ela teve que voltar para a mesa da janela. Que difícil. Lá estava a família, lá estavam as crianças lambendo o vidro, contentes por verem a conhecida dos tchauzinhos e dos desenhos e lá estava a mulher da barriga sem a barriga e com um bebê no colo.
Pérola estremeceu. Será que é outra Terezinha? - Pensou ela.

A mulher estava sentada sobre os maços de papelão e segurava displicentemente o bebê. Uma das crianças pequenas veio perto dela e ela entregou a trouxinha para ela. Pérola levou um susto. A mulher entregou o bebê para uma criança que não deveria ter mais que 4 anos. A criança mal podia segurar o bebê. O bebê começou a chorar e a criança o sacudiu feito uma garrafa de coca-cola. A cabecinha do bebe rodou para todos os lados. Pérola grudou as mãos no vidro. Seu coração veio até a boca. Ela bateu freneticamente no vidro para chamar a atenção da criança. Quando a criança olhou para cima, Pérola fez mímica ensinando como fazer para embalar o bebê sem solavancos. A pequena criança deu muitas risadas, mas tentou fazer, como o bebê não parava de chorar ela simplesmente o colocou sobre os papelões e saiu dali.

Pérola quase teve uma síncope. Teve que sair dali e ir tomar um copo de água. Por sorte já estava na hora de sair e não tinha mais ninguém para atender. Ela pegou a bolsa e foi embora. No caminho só pensava no acontecimento da tarde.
No dia seguinte a mesma cena. O bebê sendo jogado de colo em colo e por fim jogado sobre os papelões. Pérola não aguentou. Ao sair foi lá falar com a mãe.
― Cadê a mãe do nenê?
Vem uma mulher mais velha arrastando a perna falar com ela.
― É a Chica. O que a Dona quer com ela? Quer ficá com o piá? Pode levá, ela tá dando mesmo. Tonho, vai chamá a Chica, vai. - A mulher dá ordens a um menino gadelhudo e sujo que está grudado com ela.
― É bom mesmo que leve esse piá chorão. Ela nem dá leite pra ele. Peito num que dá, leite num compra, o piá vai minguá, já, já. Cida, pega o piá pra moça vê. - A velha ordena para uma criança sem sexo definido, tão suja quanto o menino e ainda menor que o outro.
A menina vem quase arrastando o bebê e entrega à Pérola.
O bebê fedia. Ele estava tão fraquinho que quase não conseguia chorar. Era bem pequeno. A boquinha aberta em sinal de socorro e lamento fizeram as lágrimas brotarem no canto do olho, mas ela conseguiu disfarçar.
― Ela quer dar o bebê?
― A Chica? Esse é o terceiro que ela vai dá. Ela é uma vagabunda. Só faz filho e não quer cuidá. Essa aqui é dela. Eu fiquei de burra. Agora não sou mais não. Fiquei com esta porque era filha do meu neto, agora esse aí sei lá de quem é. Ela diz que é do polaco eletricista. Vá saber. Qué ele moça, qué ele prá você? Ele não foi registrado. E a vagabunda nem vai querer saber dele não.
Nisso vem a Chica. Mocinha redondinha, já com roupas justinhas, cabelo com as pontas descoloridas, olhos pintados de azul, barriguinha flácida, pois o bebê estava com 10 dias, e os dedos cheios de anéis baratos.
― E ai? O Tonho disse que você quer ficar com o meu piá.
― Não, não é isso. Eu só vim ver o bebê. Mas posso ver uma família para ele.
― Ah, vó que saco. Achei que a Dona já ia levar o chorão. Tá bom Dona. Arranje aí uma família para o meu piá. Mas arranje logo que ele está me incomodando.

Pérola devolve o bebê para a velha senhora e atravessa a rua, entrando nas Lojas Americanas. Nem sabe o que fazer. Sai pela outra porta e entra na farmácia. Compra uma mamadeira e um leite em pó e uma garrafa pequena de água. Entra na lanchonete ao lado e pede para a moça do balcão que é sua conhecida, para preparar a mamadeira. Com a mamadeira pronta e volta aos catadores de papel e entrega para a velha senhora e diz que quer ver ela dar ao pequeno bebê.
A mulher não vê alternativa e dá a mamadeira para o faminto bebê. Ele sorve o leite sofregamente e dorme. Pronto. Pérola pode ir para casa tranquila. Desta vez.

No dia seguinte contou o caso para as colegas de trabalho e ligou também para a mãe, pois não tinha telefone em casa. A mãe imediatamente lembrou-se da Tia Amber, cuja filha fazia anos que estava querendo adotar uma criança. Em menos de uma hora Tia Amber aparece na frente de Pérola toda ansiosa.
Pérola conta toda a história para ela e a Tia Amber disse que estaria ali na porta às 6 horas da tarde para pegar o nenê. Já que a moça queria dar a criança de qualquer jeito, hoje mesmo ela iria levar um neto para casa.
O dia arrastou-se devagar. As horas não passavam. Cada beneficiário que ela tinha que atender era o mais complicado do ano todo. Os minutos estavam ficando muito compridos.
Finalmente chegou o final do expediente. Às 5:30hs da tarde a Tia Amber já estava na porta esperando a chegada dos catadores de papel. Ela trazia um lindo cobertor azul onde pretendia embrulhar o bebê, pois o dia estava bem frio.

Os catadores foram chegando e amontoando seus pertences. As crianças juntaram seus pequenos pacotes no canto e fizeram uma casinha. A mãe do bebê vinha com ele no colo displicentemente andando e conversando com um homem que empurrava um carrinho lotado de papelão.

Pérola saiu de sua mesa ficou olhando enquanto Tia Amber se adiantou e já foi falar com ela. A conversa foi rápida. A moça já colocou o bebê no colo da Tia Amber. As duas saíram de perto do homem e continuavam a conversar. De repente a moça toma o bebê do colo da Tia Amber e sai de perto. A Tia ainda vai atrás dela, mas a mãe corre com o bebê nos braços.
Pérola pega a bolsa e sai do prédio atrás da Tia. Encontra-a desconsolada encostada na parede, agarrada ao cobertor azul.
― O que foi Tia? Por que a Chica saiu correndo daquele jeito? Garanto que ela queria dinheiro....
― Queria. Ela disse que só dava o filho se eu desse uma casa para ela morar. Eu disse que tudo bem, que eu daria a casa, mas que ela me desse o bebê para eu levar hoje. Ela disse que não, que hoje eu tinha que dar a quantia de cinco mil para ela e depois tinha que dar a casa. Eu disse que não tinha tanto dinheiro, e não ela disse um monte de nomes feios, pegou o filho e saiu correndo.
― Ela é louca Tia. É melhor a gente ficar longe dela. Vamos embora.

As duas saem e Pérola vai para casa. Mais uma experiência traumatizante com bebês de catadores de papel.
Os anos passam e Pérola progride no INSS, seu marido passa a gerente no banco onde trabalha, eles compram um apartamento enorme e a vida fica fácil e prazerosa. Ela não precisa mais andar pelas ruas de Curitiba, agora vai e volta de carro e deixa seu veículo no estacionamento.
Para ajudar as pessoas, contribui com as Associações que ajudam bebês e catadores de papel. Assim não se sente em débito com ninguém.

Pérola tem um filho único Lucas, de pele morena e cabelos loiros encaracolados. Quando o filho já estava com 18 anos, foi buscar a mãe no trabalho no carro bonito que acabara de ganhar. O moço faz questão de parar o carro, sair e abrir a porta, fazendo mesuras para a mãe. Ela dá-lhe um grande abraço e um beijo antes de entrar no carro. O rapaz dá a volta entra no carro e sai todo contente, sem perceber olhos invejosos que os acompanham.

Sentada sobre uma pilha de papelão está Chica que ficou atenta observando a cena. Saiu dali e foi até a porta do INSS falar com o guarda.
― Moço, eu deixei meus dicumentos com esta moça que acabou de sair e agora não sei o nome dela. Como é que faço pra falar com ela amanhã? Como é o nome dela?
― Essa moça que saiu de carro com o filho? Essa aí é a chefe dona. O nome dela é Dona Pérola e você tem que marcar hora para falar com ela. Você deve ter deixados os teus documentos com outra pessoa. Amanhã você vem, pega uma senha e fala com a atendente.
― Brigado, viu seu guarda.
― Sei, de tudo isso. Você vai ver Dona Pérola. Ai se eu te pego.- Pensa Chica, pois estava armando alguma coisa.

Atravessa a rua e entra na galeria ao lado das Lojas Americanas. Olha nas diversas placas indicativas dos andares e encontra um nome conhecido. O prédio tem inúmeros conjuntos comerciais. Ela sobe, no elevador as pessoas se afastam dela devido ao cheiro forte de lixo. Ela nem liga, já está acostumada.

Chica entra sem bater em um escritório escuro e chinfrim no final do corredor. O homem franzino de bigodinho se espanta de ver aquela figura grotesca entrando de rompante.
― O que a senhora deseja?
― Eu quero contratar um advogado que seja porreta. É um negócio de grana preta. Vamo ferrá com uns grãfinos aí.
― E do que se trata? - Os olhos do homenzinho já visualizaram muito dinheiro.

Chica viu que agradou o advogado “porta de cadeia” e foi logo sentando para contar a história da venda do seu bebê 18 anos atrás.
O advogado ficou fascinado com a história. Disse que o processo estava ganho. Ainda mais com toda a mídia em cima dos casos. TV, Jornais, ele estava adorando tudo aquilo. Já estava se vendo um grande advogado processando uma alta funcionária do INSS por compra de um bebê.
― Vamos iniciar o processo. Quem vai pagar as custas?
― Pagar o que? Eu não tenho dinheiro nenhum. - Chica fica brava e levanta-se, fazendo uma nuvem de cheiro podre espalhar-se pelo ar.
― Não, pode deixar por minha conta. Vou preparar tudo. Mas, você vai assinar um documento para mim, umas promissórias, quando sair a indenização você vai me pagar tudo. Combinado?
― Ah, daí tá certo. Eu assino tudo.
E os dois ficam acertados no acordo desonesto.

Alguns meses depois, Pérola recebe uma intimação para comparecer frente ao Delegado e prestar esclarecimentos. Como ela vive recebendo intimações devido ao seu cargo, nem prestou atenção ao que se referia e só anotou na agenda o dia e passou para a secretária para arrumar os documentos e contatar o advogado para ir junto com ela.
No dia, ela estava lá com o advogado e foi sua surpresa quando Lucas e o marido também chegaram.
― Ué, por que vocês estão aqui?
― A sua secretária telefonou e avisou que deveríamos comparecer sem falta hoje, com os nossos documentos. Achei que você sabia.
― Não sei de nada. Recebi esta intimação, mas é do INSS, o que vocês dois tem com isso?
O advogado vem em seu socorro e mostra a intimação onde está o nome de todos e o de Francisca Alves também.

Quando são chamados para a sala com o Delegado, lá já estava sentada Chica e o advogado. Pérola jamais reconheceria aquela mulher obesa, limpa e arrumada sentada na sua frente, como sendo a Chica de 18 anos atrás que queria lhe dar um bebê.
O Delegado fez as chamadas e pediu os documentos de todos. O escrivão anotou tudo. Depois ele começou as explicações:
Abertura de inquérito policial.
Estão aqui presentes Sra Francisca Alves que é a reclamante e diz que na data de 24/05/1995 a Sra. Pérola Rorelli e sua comparsa foram até ela e a obrigaram a vender o bebê recém-nascido. Como ela não quis entregar o bebê na hora a comparsa dela veio mais tarde e sob a ameaças fez com que ela entregasse a criança. Ela deu uma quantia em dinheiro para que ela ficasse quieta e não contasse nada a ninguém, sob pena de morte. A quantia foi de R$ 2.000,00. O bebê é este rapaz Lucas Rorelli. A reclamante pede a volta do rapaz para casa, bem como a regularização da documentação necessária.
Pérola, o marido e o filho escutam tudo aquilo em silêncio.
Lucas fica completamente perdido, agarra o braço do pai e começa a fazer inúmeras perguntas. O pai só diz para ele se acalmar.

O Delegado estava esperando que alguém berrasse, lutasse, agredisse. Esperava alguma reação. Até o advogado minúsculo estranhou a família não reagir e começou a preocupar-se.
― O que tem a dizer em sua defesa Sra. Pérola?- Pergunta o Delegado.
― Eu estou sendo acusada de que mesmo, Sr. Delegado?
― De nada, de nada mesmo. A Sra. está aqui para prestar depoimento.
― Então o Sr. Delegado queira por favor fazer as perguntas que eu vou responder, porque até agora o Sr. fez a abertura do inquérito. - Pérola estava muito tranquila, tão tranquila que dava raiva.
O Delegado começou a perceber que era uma armação daquele advogadozinho mequetrefe.
― Muito bem, vamos as perguntas então. O escrivão vai anotar no processo. Sra. Pérola, no dia 24 de maio de 1995 a Sra. obrigou a Sra. Francisca Alves a lhe vender o filho dela e ela não aceitou?
― Não senhor.
― Sra. Pérola, no mesmo dia 24 de maio a Sra enviou a sua conhecida para obrigar a Sra. Francisca a vender o filho dela pela quantia de R$ 2.000,00?
― Não senhor.
― Sra. Pérola, o seu filho Lucas é o filho de Dona Francisca Alves?
― Não senhor, Lucas é meu filho e de meu marido Paolo e quero que seja feito o exame de DNA pago pela reclamante para provar.
Nisso Chica e o advogado levantam-se enfurecidos. O Delegado manda que os dois fiquem calados sob pena de prisão por desacato.
― Muito obrigado Sra. Pérola e desculpe incomodá-la. Acho que não será necessário fazermos esse exame....
― Não senhor, absolutamente, eu exijo que esse exame seja feito. Como eu vou ficar perante meu filho? O Sr. quer que ele fique com esta dúvida a vida inteira? O Sr. pode indicar o laboratório que nós iremos fazer o exame.
O que aconteceu com a Chica? Continua catando papel e devendo para o energúmeno advogado. E o filho dela? É claro que não era o Lucas, este realmente é filho de Pérola e Paolo. O filho de Chica pode ser qualquer um. Pensando bem, pode até ser um neto da Tia Amber, não pode? Afinal todos são tão loirinhos...


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Editor da Revista Carlos Zemek

Curador e Artista Plástico.
Membro da Academia de Cultura de Curitiba - ACCUR.

1 comentários

Neyd Montingelli: Quer Comprar?
  1. Agradeço à Revista Carlos Zemek pela divulgação do meu trabalho.

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