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» » Maria Lorenci: Dona Coisa e a Visão

Fotografia e Arte de Isabel Furini

Cansada era a palavra pra Dona Coisa naquela noite. Tão cansada que o sono não vinha. Tão preocupada que teve de achar uma dessas revistas bobas de moda e receitas pra ler. Nada de Nietszches ou Maiakovskis. Pegou a revista e se meteu sob as cobertas, tentando relaxar;leu um pouco, esperando que o tédio chamasse o sono.

Foi quando viu aquela luz se espalhando pelo corredor que levava ao seu quarto.
Pensou que fosse o Mais Velho aprontando alguma peça pra pregar nos irmãos mais novos, e já ia se levantando  pra dar uma bronca no carinha: aquilo não era hora de brincadeira,  tinha aula no dia seguinte, etc...
... Paralisou completamente.
... Lá estava ele.
... Alto e louro. Muito. Enorme. Lindo.

Parado á porta do quarto, sorria.

Coisa perguntou: Você é um ladrão???( pensando: ladrões deveriam ser feios, esse não é- olha o preconceito aí, gente...)

Ele riu alto. Passou as mãos no cabelo,  fez sinal que não, sacudindo a cabeça.
Cruzou os braços sobre o peito, e ficou ali, olhando pra ela enquanto a luz invadia o quarto, intensa, cegando Dona Coisa, pânico eterno...

Meio segundo, durou a coisa toda. Mas foi o suficiente pra que ele dissesse seu nome, quem ele era realmente e que "estava tudo bem".

Ainda deu tempo de correr atrás da luz que se recolhia,  ainda deu tempo de ver quando ele se esvaneceu no ar.

E o que se podia fazer com isso? Esperar que o tempo passasse, e ver o que viria.
E veio. No dia seguinte,  o dinheiro que lhe deviam foi entregue, a prestação da casa foi paga,  as preocupações diminuíram.

E ela acreditou,  pela primeira vez , que havia alguém cuidando dela e de sua desgarrada família.
Tinha razão em acreditar.  Ele voltou muitas vezes, quando as coisas ficaram difíceis : quando perdeu a casa pro banco,  quando o Mais Velho adoeceu,  e muitas mais.

Sempre sorrindo,  sempre dizendo "tudo bem".

Amigo precioso , condutor de milagres. Presença tranquila.

Por ele Dona Coisa agradece, a sua amizade se entrega. E juntos, seguem em frente.
Foi ele que apresentou a Neta,  e com certeza é no braço dele que vai se apoiar na hora de ir embora do Planeta.

Mas isso, my friend,  é TUDO OUTRA HISTÓRIA...

Maria Lorenci






Maria Lorenci: nascida em Curitiba, tem 59 anos. Viúva, três filhos, uma neta. Engenheira Civil, funcionária do Banco do Brasil. Escreve desde menina, resolveu mostrar seus escritos há pouco mais de três anos. Participa do Coletivo Marianas desde o seu início. Publicaçoes: participação nas coletâneas "Herdeiras de Lilith", 2014, "Folhetins dos Poetas Malditos ", 2015 . Primeiro livro individual : "Playlist para poemas selvagens" (coleção Marianas - Box 1)- Bolsa Nacional do Livro, 2016. Fanpages: Maria lorenci e Dona Coisa e suas histórias, no Facebook. Tem textos publicados na Revista Carlos Zemek e em Mallarmargens.
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Editor da Revista Carlos Zemek

Curador e Artista Plástico.
Membro da Academia de Cultura de Curitiba - ACCUR.

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