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» » José Aparecido Fiori: Festa desbunde em privê

Arte digital de Carlos Zemek


FESTA DESBUNDE EM PRIVÊ

Leitor, ouvinte, a quem recito no espaço deste restrito recinto
Digito o que penso, falo o que sinto
Meu poema ab ovo, ab litro
Por estúpido cupido etílico
Por delírio do espírito
Ipso facto, ipsis verbis, ipsis litteris
Nada de novo no front
A tiara na cabeça
O fetiche na greta raspada
A tanga tem que ser preta
Cuidado com o mau olhado do voyeur tarado
Em cena a pena em riste
Aqui, data vênia, meu obsceno poema
Lábios carnudos, batom vermelho
Os seios dois pomos acesos de açucena
Dois pombos no chão rolando
De bico a rabo ralando
O brinco de ouro no ouvido
Um piercing no umbigo
A pomba, o colo destapado
Ambos em meia nove se beijando
Os sapatos saltos altos
As maçãs do rosto macias
As mãos mimosas
O esmalte nas unhas
Os anéis nos dedos
O perfume cheiroso gostoso
Os feromônios conectáveis na tomada da amada
Data vênia por loquaz sapiência, impoluta experiência, quanta coincidência amar por delinquência
Soubesse a guria in love dos vícios incólume
Eu te amo, virgem, de dar vertigem
Eu te amo, guria de dar cria
Na cama, na lama, com a fome e a fama de um homem
Te apelo às mãos com o cálice bento
A teus cabelos compridos ao vento
Soltos, leves como a neve
Se me topas, não finjo, não esfinjo
Ó Ninfa
Ó Ninja
Decifra-me ou te devoro
Saio à rua nua, o mundo da lua
Vou ao bar, meu lar, onde reaprendo a alienante arte de amar
Subo ao palco, soco a pua, sento um soco no ar
A estrela tímida brilha no arrebol
Estátua viva, não sirvo de ator
Sossega teu facho, ó sol, mas não leva de todo embora o ardor do teu calor
Vai meu vulto pela rua passando
O perfume das Flores me saúda
A saúde, como vai?
Tudo bem, menos mal
Ao tropel dos demônios sinto o amargo no âmago
Sigo a Luz dos Pinhais
Uma reza na Catedral
Um trago no Largo da Ordem
Me cumprimentam os lampiões à gás
Faroleiro, biscateiro, bêbado, blasfemo, padeço, adoeço
Choro o anseio no veleiro granítico de funéreo seio
De onde vim vivo inteiro, volto metade morto do completo cheio
Finjo completamente
Finjo, já disse, não sou ator
Apenas canto a minha dor
Corro contra o tempo inclemente
Eu comigo somente, semeio a semente
Bendito o fruto do teu ventre
O feto feito fato com o falo na tua placenta
Ando embrulhado aos trapos
Luto às ferpas e farpas
Por ti vou à guerra dos farrapos
Gosto como tu veste, guria feliz de contente
Tá bom, sei, nem me diga, sou esquisito, me visto à Mefisto
Me dispo indecente
Um pensamento sinistro toma conta da gente indigente
Meu canto é pungente, tomo aguardente
Já disse, nunca fui inocente
Os pecados que não cometi, o mal que nunca fiz
A recíproca do bem, nunca recebi
A ti obedeço, pago o preço
Vou à missa das dez, o bar do Galo, tomo um gole, sumo e calo
Vou ao porão do Noé, a boate de Babel, navego no Rio Belém, bebo da fonte de Siloé
Deus me acuda, vou que vou
Por lugares insalubres pueris impúberes
Por tenuíssimas brumas pútridas de Avalon
Por onde andam tatuadas as virgens esfoliadas
As putas mais puras que as danadas maquiadas
As humildes e as descaradas descartadas com cicatrizes de hematomas na cara de estupradas
Eu vou...
Elas sorriem pra mim na madrugada
Malfadadas, depravadas, desgrenhadas rosas despetaladas
Mãos macias, refinadas, unhas compridas afiadas
Bruxas, porém, além de Salém, todas amaldiçoadas
Eu vou...
Qual forasteiro em ligeira passagem no buteco da paragem
Tomo um porre a mais, até que me satisfaz
Saio tonto, trêfego, tropeando trôpego, desmaiando em delirium tremens
Toindo
Vou-me embora pra Passárgada
Aqui não mando na grei, sou inimigo do rei
Não tenho a mulher que quero
A que sempre quis, quererei
Rei da vela, a vida é fela
Rei das trevas, ó caterva
Rei da cepa com cetro de palhaço
Ria-se, ó meritíssimo moralista das meretrizes perplexo
Teu mérito sobre o sexo não tem nexo, não tem plexo, não tem adepto
Vá pro inferno juiz ladrão ladrar com os rábulas
Ó dileta guria formosa inigual
Te beijo com a língua
Venha-me utópica, ideal, fatal, vestida de azul
Os seis lúbricos, o sexo raspado, a calcinha preta
Vem
Bata, empurra, a porta está aberta
Vamos rolar à festa em desbunde
Vai rolar bundalelê com cine privê
Lá fora, no arraial da Catedral, tem orquestra, tiros de festim na retreta
Tem quermesse, fandango, fados, afagos fagueiros de fogueiras
Tem rojão e bombinhas de São João
Tem pipoca e quentão
Pinheiro que dá pinha, pinha que dá o pinhão
Vamos dançar até cansar de amassos no ritmo do compasso
Apertar nossos ossos antes que os ossos não sejam mais nossos
Falar de troços nos labirintos ouvidos
Amar-nos nus uns aos outros.

José Aparecido Fiori
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Editor da Revista Carlos Zemek

Curador e Artista Plástico.
Membro da Academia de Cultura de Curitiba - ACCUR.

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