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» » Katia Velo: A tênue linha entre a sanidade e a loucura


Minha área não é a psicologia, mas como diz o ditado “de médico e louco, todo mundo tem um pouco”. Obviamente, tenho um pouco mais de maluca do que de médica, portanto, sei que a linha que separa a sanidade e a loucura é fina, delicada, quase inexistente. É comum chamarmos alguém de “maluco beleza”, “doido de pedra”, “pirado” como adjetivo. Definir quem é ou não louco, não é tarefa simples, vemos em novelas ou filmes, exemplos de que basta alguém dizer (de preferência um parente próximo) que alguém é louco e logo é internado. Para exemplificar, cito o filme Sombras de Goya, do cineasta tcheco Milos Forman. Na história baseada em fatos verídicos, a modelo do artista, Inês Bilbatua, interpretada pela brilhante Natalie Portman, sofre a perseguição da inquisição e come o “pão que o diabo amassou”.


REMÉDIO AMARGO
Na Idade Média, durante a inquisição, qualquer pessoa que não fosse aprovada pela Igreja Católica, tinha como destino inúmeros castigos e muitas vezes o seu fim era a fogueira. A loucura era tratada como algo demoníaco e para expulsar “o coisa ruim” usava-se desde aplicação de torturas, indução ao vômito, afogamentos, até sangramento. Felizmente muita coisa mudou, mas ainda há tratamento como eletrochoque e até coma induzido.

A Arte pode ser terapêutica, mas não é terapia. Se fazer Arte fosse apenas relaxante e agradável, não existiria tantos artistas loucos, não é mesmo?  Mas, será que os artistas são mesmo uns maluquinhos. Artistas geralmente são extremamente sensíveis e autênticos e em grande parte tem um temperamento fortíssimo: Caravaggio, Van Gogh, Salvador Dali, Edvard Munch, este autor do célebre “O Grito”, são alguns deles, mas a lista é looonga.

NISE DA SILVEIRA – IMAGENS DO INCONSCIENTE
Nise da Silveira foi pioneira ao adaptar o tratamento psicológico com a Arte. Nise era totalmente contra aos tratamentos convencionais. Além da pintura, ela permitia que os pacientes tivessem animais, principalmente cães e gatos. O objetivo de Nise era humanizar o tratamento e promover a afetividade.  “Pacientes não! Nós que devemos ser pacientes com eles, pois estamos a serviço deles. Eles são nossos clientes!” Teria dito Nise a um enfermeiro. As obras produzidas pelos “clientes” da Dra. Nise participaram da 16ª Bienal de São Paulo (1981), título Arte Incomum, apresentou obras do acervo do Museu de Imagens do Inconsciente. Foi a primeira grande exposição “oficial” no Brasil sobre o tema. O filme Nise – O Coração da Loucura, dirigido por Roberto Berliner, descreve esta fascinante trajetória.
Estátua de Arthur Bispo do Rosário
em sua cidade natal, Japaratuba, SE
Foto de Domínio Público - Wikipedia
BISPO DO ROSÁRIO – LOUCO OU GÊNIO?
Em 1938, na véspera de Natal, Bispo presenciou a chegada de um luminoso cortejo de anjos e soldados celestes que traziam a seguinte mensagem “Reconstrua o universo e registre a minha passagem aqui na terra”. Após este episódio, o visionário Bispo diz que sob ordens divinas ele deveria cumprir a referida mensagem. Então começa uma peregrinação de hospício em hospício com o diagnóstico “esquizofrenia paranoide” cujo tratamento era o mesmo que Nise da Silveira contestava, ou seja, eletrochoques e drogas fortíssimas. Para Bispo sua função era nada mais nada menos do que apresentar a Deus as coisas da terra, portanto, seu trabalho consistia em separar e organizar as coisas, como um catálogo. E seguindo uma forte característica de sua origem, o bordado, “amarrava” todas estas coisas com linha e agulha. Na década de 80, durante uma reportagem sobre manicômios feita pelo Fantástico, o crítico de arte, Frederico Morais, deslumbrou-se com o trabalho feito pelo Bispo e foi visitá-lo. De lá pra cá, muita coisa aconteceu, inclusive a morte do Bispo que não foi enterrado com sua obra prima, seu manto sagrado, cuja função era usá-lo diante do criador.
Assim como a loucura, classificar uma obra de Arte é um trabalho complexo e cheio de meandros. Mas afinal, o que é ser normal? Eu é que não sei, não quero saber e tenho raiva de quem sabe.

Katia Velo é professora, artista plástica, curadora e colunista cultural.

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Editor da Revista Carlos Zemek

Curador e Artista Plástico.
Membro da Academia de Cultura de Curitiba - ACCUR.

1 comentários

Katia Velo: A tênue linha entre a sanidade e a loucura
  1. Parabéns pela matéria Katia Velo, muito interessante adorei o assunto! Tenho dois poemas sobre o mesmo "Loucuras" e "Loucuras Interiores".

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