ISABEL FURINI: ENTREVISTA COM O ATOR ANSELMO VASCONCELLOS

Anselmo, quando surgiu o seu desejo de ser ator e quais foram seus primeiros trabalhos em teatro e
em TV.?


Anselmo Vasconcellos
Foto Divulgação

Aconteceu um encontro com uma mulher que amava teatro, gostei muito dela e para me conectar inventei que fazia teatro. Nunca tinha feito. Quase nada eu sabia sobre teatro e montei, dirigi e interpretei com amigos uma peça que eu mesmo escrevi. Desde lá prossigo nesta aventura do devir, de inventar-me.



Anselmo Vasconcellos - Foto Divulgação
Na sua longa e exitosa carreira você representou muitas personagens, quais foram as mais marcantes? Você prefere representar personagens cômicas ou dramáticas? Quais personagens você lembra com mais carinho?

Sim, sãos muitas realizações. Gosto de todos e não tenho preferencias porque cada um deles exigiu uma evolução criativa, ha talvez uma intercomunicação entre eles pelo meu corpo físico, ou pela plástica que alcanço em cena. Meus trabalhos são físicos, gosto de expressar com o corpo. Troco palavras por gestos e silêncios. Alguém disse algo sobre "verdades provisórias", pois eu acho que personagens são assim, provisoriamente existentes nas suas concretudes que consigo alcançar ou apenas pretender abordar. Ha casos em que eles preexistem. Estão ali em suspensão poética esperando o ator e o publico. Hugo Carvana dizia que personagens têm endereços.






Em sua opinião, quais são as características mais importantes para que um ator seja lembrado pelo público?


Eu conheço o carinho do publico, tenho esse privilegio. Não sei explicar e nem quero. A admiração é energia, sinto assim.



Anselmo, muitas pessoas pensam que a vida do ator é só glamour: festas, aplausos, admiradores, fã clubes, fotos em revistas e jornais, mas qual é a realidade? Como é realmente a vida do ator?

Dificílima. Uma corda bamba. Sucesso e fracasso são maneiras de fixar alguma ideia a respeito da repercussão do trabalho, do aceite publico. Mas eu ainda insisto que ha algo além desta dicotomia. Essa procura é rara e talvez poucos tenham afeição por pensar assim na contramão. Acho que é uma atividade indigna mesmo, com forte marginalidade. Mais desemprego que empregos. Quem segura isso?


Fale sobre seu livro "A Volta ao Mundo – Uma Pista para o Futuro" (Chiado Editora). Como surgiu a ideia do livro?

Um jornalista queria escrever minha biografia e entrei em estado de alerta vermelho, estado de sitio, calamidade publica, CPI, etc. Decidi, na terapia que fazia na época, tomar a pena da minha história e organizá-la eu mesmo. Então descobri que podia mudar o passado e também a paixão pela ficção me transformaram o intento inicial. Convidei a cineasta e escritora Claudia Furiati para revisar. Foi uma parceria encorajadora e finalmente o livro nasceu.


Sobre a capa do livro: como foi escolhida a imagem?

Vasco, da Editora Chiado, artista português concebeu esta maravilha. Quando recebi fiquei num estado de percepção diferente. Uma mandala com três círculos sobre as nuvens. Virou meu signo, meu bálsamo benigno.


Gostaríamos de saber um pouco sobre seus planos para 2016.

Estarei lançando meu novo romance: MIA. Viajando com Laura Proença com o espetáculo 50 Tons de Loucura pelas cidades brasileiras, o que será um doce deleite. É um espetáculo apaixonante e muito divertido que criamos juntos com o autor Antonio Dias e nossos colaboradores amados. Vou gravar a nova temporada do “Zorra”, lançar os longas que fizemos em 2015: “Nova Amsterdam” e “Anita” Tem a série República do Peru da Marcia Zanelato que deve render nova temporada e esta no ar na TV. Brasil. Um seriado feliniano que adoro. Tem a Escola Estadual de Teatro onde completarei 28 anos efetivos dando aulas e promovendo encontros criativos com quem esteja interessado em linguagens, filosofias e meditação. Tem minha tribo pra cuidar e amar: Cristiana, meus filhos Isadora, Vittorio e Isabella. Tem os curtas “Bandeira” e “Abismo” que pude realizar com jovens cineastas e a vontade de viver que me anima a acordar cedo, jardinar, resolver equações, ter meus poucos amigos que ainda estão no planeta e tocar a lira do delírio, porque sem essa "cachaça" ninguém segura este rojão.

Anselmo Vasconcellos - Foto Divulgação




Laura Proença e Anselmo Vasconcellos - Foto Divulgação

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