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Poema Palhaço de Isabel Furini interpretado pelo poeta Marco Alexandre Dias da Silva, poeta e declamador, especialista em Libras.

O PALHAÇO MANECO

O palhaço Maneco
dança como um boneco.

O palhaço é narigudo
e também é orelhudo.

Ele tem um barrigão
muito maior que um caminhão.

Ele tem um cabeção
do tamanho de um avião.

O palhaço usa um chapéu
que é muito, muito pequeno.

O Maneco está em pé
e tem um cachorro perto dos pés.

Esse palhaço engraçado
é uma imagem de um quadro.

Isabel Furini - Contato: isabelfurini@hotmail.com





Interpretação em Libras de Marco Alexandre Dias da Silva

O Prêmio Sesc de Literatura, concurso que revela novos talentos da literatura nacional, abre no dia 09 de janeiro as inscrições para mais uma edição. Até o dia 17 de fevereiro, os candidatos poderão concorrer nas categorias Conto e Romance. Os vencedores têm suas obras publicadas pela editora Record, que é responsável pela edição e distribuição, com tiragem inicial de dois mil exemplares.

Para participar, os candidatos deverão apresentar os originais de romances e as coletâneas de contos inéditos. O autor poderá concorrer nas duas categorias desde que tenha obras nunca publicadas em ambas, inclusive em plataforma online. Neste caso, as inscrições serão realizadas separadamente. O processo seletivo será realizado via internet, desde o envio de informações pessoais até a obra digitalizada. Todos os trabalhos são submetidos à avaliação das comissões julgadoras compostas por escritores, especialistas em literatura, jornalistas e críticos literários definidos pelo Sesc. Os vencedores serão anunciados em junho de 2017.



O edital completo estará disponível no site do Sesc. Informações adicionais também podem ser obtidas pelo e-mail literatura@sesc.com.br.

Sobre o Prêmio Sesc – Lançado pelo Sesc em 2003, o concurso identifica escritores inéditos, cujas obras possuam qualidade literária para edição e circulação nacional. Até agora já foram revelados 23 novos autores. Além de inclui-los em programações literárias do Sesc, o Prêmio também abre uma porta do mercado editorial aos estreantes: os livros vencedores são publicados e distribuídos pela editora Record. Mais do que oferecer uma oportunidade aos novos escritores, o Prêmio Sesc de Literatura cumpre um importante papel na área cultural, proporcionando uma renovação no panorama literário brasileiro.

 Fonte: Departamento Nacional do Sesc

Desflor

Cerradas as pálpebras
e as narinas,
resta da flor
apenas o toque leve
de ausência
Veludo já quase
desflor

O mais de certas coisas

é dentro de nós.



Fotografia de Isabel Furini




















Essências

Durante milênios, 
plantas ouvem
e observam
dores, histórias
e viagens

Guardam,
no próprio cerne,
essas essências humanas
capazes de aliviar-nos
ou de perder-nos

Em seus silêncios:
são porta-vozes
das curas e do vento,
dos sãos caminhos
e da loucura.





As mãos na morte

Não ficarão imóveis
as mãos

Pode ser que a 
esquerda
(sendo eu canhoto)
agarre o peito 
na tentativa vã
de conter a dor 
na palma

Talvez,
ao tentar parar 
a bala
ou interceptar o golpe,
essa mesma se eleve
à altura do rosto

Quem sabe ambas, 
inúteis,
(às vezes sou ambidestro)
se projetem 
a amparar a queda

Se tudo for natural,
no leito:
as duas tentarão agarrar-se
em algo ainda sólido,
que nunca houve,
da vida

Ao final,
na morte,
(aqui não há lateralidade)
nada parece 
tão morto.



Luiz Walter Furtado nasceu em Belo Horizonte, em 1957. Médico pediatra na cidade de Ouro Preto, foi descoberto pela poesia há cerca de dois anos.

Tem poemas em várias revistas digitais e um livro de poesias, Revelações (Penalux 2016), publicado em papel.  Está terminando seu segundo livro, também de poemas, a ser publicado em 2017.

Contato: E-mail: lwfsousa@gmail.com

UN PARAGUERO

Un poeta en los tiempos que corren es similar
a un paragüero,
nadie sabe para qué sirve.
Podemos afirmar, sin riesgo a equívocos
que quien se dedica a la poesía es como un jubilado a los veinte años.
Un mueble añoso, con apariencia de mueble nuevo.
Ahora entiendo la enigmática metáfora
del Conde de Lautréamont,
cuando estableció que lo bello, la poesía,
era, “el encuentro fortuito, sobre una mesa de disección,
de una máquina de coser y un paraguas”.

Fotografia de Isabel Furini






















PALABRAS COMO CÁRCELES

Algunos se construyen cárceles de aire.
Si dan un paso fuera, caen en el pozo de lo ignoto.
Se aburren, pero prefieren la comodidad de sus certezas,
a la extraña aventura de la incertidumbre.
Una vetusta patina cubre sus zapatos,
y usan capa dentro de la camisa almidonada.
Algunas palabras forman intrincadas alambradas
sobre la inocente página.
Fueron dichas por otros,
pero el ensimismado las recoge,
 las hace suyas y las va instalando con mucha seriedad
y sapiencia donde alguna vez habito el asombro.
Como se vanaglorian de su encierro,
y son muy apreciados por las academias,
tienen asegurado el bronce y el aplauso.



COMO UN VIEJO BANDONEON

Un viejo bandoneón en el exilio
sueña la canción de aquel bar
donde ebrios juntábamos palabras
iluminadas por los ojos de ella.

Ella, que nos miraba con sus labios
de niña traviesa, pequeña diosa de la risa.
Su nombre,
María o Ana.
 Manos de pajarera,
sembradora de orquídeas,
revoloteando  entre un par de crepúsculos,
que  terminaban de bruces en la mesa.

¿Quién cosecha hoy el alcohol de las  ausencias?
¿Quizá el guarda de otro cielo donde el vacío
estrena sus barrotes de olvido?
María, Ana, tal vez Ofelia,
esconde la copa entre tus senos,
donde hoy las muchachas encubren un colibrí
que parece un teléfono.

Que no nos encuentren llenos de rocío,
es subversivo el día,
puede ser un poema repleto de rancios licores,
o de lluvia.

Y eso, puede ser el amor,
es peligroso para los burócratas
y agentes del orden.



Omar Ortiz Forero.  Bogotá, 1950.  Edita y dirige desde 1987 la revista de poesía “Luna Nueva” que completa 42 ediciones y 29 años de vida. Ha publicado por lo menos 13 libros de poesía de los cuales destacamos: “Las muchachas del circo”, “Diez regiones”, “Un jardín para Milena”, “El libro de las cosas”, (Premio Nacional de Poesía Universidad de Antioquia, 1995) “La luna en el espejo”, “Diario de los seres anónimos”, “Cequiagrande” y la primera edición en España del “Diario de los seres anónimos” que, ampliada y corregida, acaba de ser publicada en la península por la editorial “La Mirada Malva”. Se desempeña como director cultural de la Universidad Central del Valle en Tuluá, donde también dirige la Colección Editorial “CantaRana”.











INSTANTE

Amanheci poesia
te vi raio de sol a colorir o dia
toquei o orvalho,
sorriu-me a lembrança
te senti na brisa,
sussurrou a saudade o teu nome
e amei esse instante.

***





FLORESCI

Plantei amor-perfeito
e floresci borboleta
pousando no teu leito.





SER BAILARINA

Já perdi as contas
de quantas vezes
aguentei as pontas.

***



VIDA

Tão bela
quanto
passageira,
aflora
e vai
embora.
Flor de cerejeira.


***




MEU VELHO QUINTAL

De um lado
um pé de butiá,
um balaio e lenha,
uma enxada, uma pá.

Do outro lado
papo aqui,
papo acolá,
eu, você
e o pé de manacá.

***





HAICAIS




Noite invernal.
Quanto vale o silêncio?
A lua de prata.











Que noite mais fria!
Abre sorriso banguela
o vão da parede.



***

Na beira do poço
um balde enferrujado.
Tarde - sol e sede.




Angel Popovitz é natural de Palmeira-PR. Graduada em Educação Física, com especializações na área. Atualmente mora em Curitiba-PR, onde participa de saraus literários. Recentemente criou a fanpage: Angel Popovitz - Poesias e Parcerias. Em 2016, começou a publicar em revistas literárias e também participou das Antologias: Memórias de um Bar (org. Antonio Guedes Alcoforado), 1ª Antologia 200 Trovas Sobre Banheiro (org. Antonio Cabral Filho), Prêmio Buriti 2016 (org. Rita Velosa) e El agua de vida (org. Alfred Asís), participou também como co-autora do livro: Palmeira: Crônica, Poesia e Arte, de João Marcos Malucelli e Artistas. Conquistou menção honrosa na categoria haicai em língua portuguesa, no Concurso Literário Yoshio Takemoto, promovido pela Associação Cultural e Literária Nikkei Bungaku do Brasil.


CHAPÉUS
Nos espelhos ancoram
oceanos de emoções
e podem refletir
sua essência nos espelhos,
mas preferem
espelhar-se no infinito.
Isabel Furini


REFLEXOS
As asas dos chapéus
inventam
coreografias
e milhares de formas
imaginárias
dançam nos espelhos.

Isabel Furini

O que restou de nós
perdeu-se entre o machado
e o sândalo. No
prisma que enlaça
nossas estações.
Uma fenda se abriu
nos lábios, ante
o vaso partido
e um desejo
que nos chama
para depor.
Fingi que meu cio
fosse o alimento
para teus leões domados;
sonhei que teu néctar
fosse o orvalho
para a cidade em chamas.
E dormi sob o vento
e a noite ferida de raios.
Havia m punhal entre as flores!

SALGADO MARANHÃO
(Do livro "Ópera de Nãos")





O cais está aberto
ao anagrama
dos teus pés. teus
pés recorrentes
ao sal e à maré. Porém
há uma manhã de seda
que te desenha miragens
no semblante. E
há vestes rubras
que te aguardam
nos espelhos. Tu
és o vento
que acorda a memória
e o velame dos barcos.
De onde te busco,
só ouço a cidade
rugindo metais.
Não te perdi
para os astros convulsos,
nem para o fauno
que desacata o amor,
te perdi para mim.

SALGADO MARANHÃO
(Do livro "Opera de Nãos")



Fotografia de Ricardo Prado
JOSÉ SALGADO MARANHÃO: Letrista e poeta, nasceu em Caxias, no Maranhão, em 1953. Além de brilhante poeta foi instrutor de tai chi chuan e mestre em shiatsu. Em 1978 participou da Antologia "Ebulição da escrivatura -Treze poetas impossíveis" (Ed. Civilização Brasileira, 1978, RJ).  
É compositor-letrista e possui mais de 50 músicas gravadas por vários artista de renome, entre eles Ivan Linch, Elba Ramalho e Paulinho da Viola. Em 1978 participou da Antologia Ebulição da escrivatura -Treze poetas impossíveis (Ed. Civilização Brasileira, 1978, RJ). Seus poemas já foram traduzidos para o inglês, alemão e outros idiomas.
Publicou pela editora 7 Letras as obras:"O Mapa da Tribo e Avessos Avulsos. Em 1998, ganhou o prêmio "Ribeiro Couto", da União Brasileira dos Escritores (UBE), com o livro O beijo da fera. Em 1999, seu livro Mural de ventos, foi o vencedor do Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, dividido com Haroldo de Campos e Geraldo Mello Mourão. Em 2016, recebeu novamente o Prêmio Jabuti, na categoria Poesia, com o livro Ópera de Nãos, editora 7 Letras.
Trilogia aquosa

Virgo et filius  na neblina

Para a Virgem fugir   e salvar a criança
que será dada à Luz do Mundo 
do infame dragão invejosos e destruidor, , 
o Criador  envia uma névoa, uma neblina
para ocultar e Mãe e Filho 
em fuga para parte alguma específica.
Apenas o instinto de vida, e o maternal intrínseco nela,
moverá seus passos  por caminhos desconhecidos.
No entanto, 
ao ver a fragilidade na coragem feminina, 
Ele faz –lhe crescer...asas de água !

Depois da destin/ação cumprida, 
as asas imensas se desmancham
e nascem os rios da Terra!

Inspiração  à poesia, 
apocalíptica e metafórica, 
dá nome a um de meus livros:
Asas de água”...
Eu que amo a transparente e translúcida fluidez 
 que sou de Signo aquático, caranguejo a andar de banda, 
mas não nado bem qual minha mãe peixinho sagitariana
que amaria a terra por herança.
mas que atravessava caudais 
quase a cantar, com um sorriso de satisfação
na boca bem feita, em forma de coração,
tão feliz ao dar braçadas quanto a flutuar.

Minha mãe se foi em um acidente de estrada, 
Longe de rios ou  mar...

Quem poderia entender quando diziam ao telefone
Que “o corpo” fora coberto
porque chovia ali na estrada?
Que corpo?
Sua alma teria fugido na neblina anunciada
no Apocalipse?

Que estranho!
Na madrugada, enquanto  eu dormia 
e sua alma se libertava, 
uma pomba azulada saiu de meu sonho .
Atravessou sem cortar-se, nada quebrando, 
a janela de meu quarto
e se aninhou em meu peito.
Nossos batimentos cardíacos se misturaram.

Abri os olhos e  soube que perdera minha  mãe.

Clevane Pessoa, in memoriam, 29/12/2016

Quadro da artista plástica Maria Antonieta Gonzaga Teixeira

























Do Alpha ao Ômega, de Aleph a Aleppo

Uma  guerra absurda destrói todo um alfabeto em si mesmo multiplicado.
Um alfabeto nomeia  nomes, sobrenomes e histórias ancestrais.
E apelidos.

De Aleph, a primeira letra de tantos alfabetos semíticos, 
fenício, hebraico, 
árabe e siríaco, 
 o mesmo  Alpha grego 
até à atroz guerra em Aleppo, 
nos tempos hodiernos, 
quantos combates  com tantas armas, 
desde tempos imemoriais?
Quantas guerras frias ou atômicas, 
destruindo o direito de estar vivos
de tantos viventes , de tantos inocentes?

Que acontecerá em milênios, ao conceito de “família”?
Talvez apenas o útero represente genes e raízes , idiomas...
O útero será o ômega: redondo, seguro, aquoso, 
um ser, qualquer um,  nadando em líquido amniótico.
Sem raça , repetirá a imensurável  matriz da deusa mãe “Sin”  
que   antes que a História fosse escrita,
bastava-se tanto no processo criador,
que era Ele e Ela, deus e deusa, um só ser.

De Aleph, símbolo de Deus criador, 
chegaremos a Aleppo?
O que foi desagregador a esse ponto senão os pré/conceitos?

Que Sin recrie a paz entre as criaturas, 
despreconceituando-as!

Clevane Pessoa 



Irmanados?Quando?

Tenho – e é claro, temos todos, 
fragmentos de íons  e quartz
 plâncton e sementes indestrutíveis, 
minerais, sangue, linfa, humores, 
dentro desse corpo casulo
que nos segura a alma, 
até à libertação.
No cerne, somos iguais.
Todo sangue é vermelho, toda alma é qualquer cor.
descobri na adolescência,
poetizando para festejar essa certeza!
Somos todos iguais.
Cada músculo  possui cerca de 75% de água.
O corpo por completo, é sessenta por cento, água.
Por que somos tão arrogantemente 
vaidosos de nosso invólucro, 
desenhamos modelos de beleza, 
desprezamos quem não se parece com nossa raça?

Se eu pudesse, seria apenas molécula de água, 
E talvez me sentisse mais igual a todas as criaturas! 

Deus/a  seria  feito/a  de água?

Muito difícil viver nesse mundo de desigualdades
de olhos sãos que são cegos .
Ou deficientes, 
em relação aos demais ...

Quando se vai perceber que é bem verdade, 
somos todos irmãos?

Clevane Pessoa 
29/12/2016


Clevane Pessoa de Araújo Lopes: Escreve e desenha desde a infância.Militou na imprensa de Juiz de Fora-MG, nos anos de chumbo, mantendo a página Gente, Letras & Artes e a coluna diária Clevane Comenta, na Gazeta Comercial e em “A Tarde’ . Foi editora de Literatura e Arte do tablóide de vanguarda Urgente. Atualmente, é psicóloga, ilustradora e oficineira de Poesia.Escrevia e ilustrava  em “Estalo, a revista”, de Belo Horizonte, participava na revista internacional aBarce, plural-da Oficina editores(RJ) e outras.. Tem doze  livros publicados (contos e poemas) ,  30 e-books, participa em mais de 170 antologias, por premiação, cooperativismo ou a convite.Também faz parte de coletâneas e revistas virtuais.Possui capítulos em co-autoria em compêndio de Psicologia... Participa de  saraus e faz recitais de leitura interpretativa, ministra palestras de psicologia ou literatura.. Tem textos e poesias hospedados em muitos sites,além dos próprios blogs.


Querido diário, eu sei que essa não era a roupa ideal para ir ao shopping, mas a camiseta cor salmão com o pequeno bordado no ombro esquerdo ficava melhor do que a verde. Fui até a sala, minha mãe e minha avó estavam sentadas nas poltronas, mas ao ver-me, imediatamente se levantaram. Minha avó se levantou tão rápido que perdeu um pouco o equilíbrio e se apoiou na antiga arca de madeira escura.
– É a labirintite de novo. – disse com tristeza.

– Filha, o que acha de um perfume? – perguntou mamãe enquanto chaveava a porta.
– Temos outra opção? – perguntei enquanto descíamos a escada da garagem do prédio, porque o elevador estava com problemas e só descia até o térreo. A garagem ficava no subsolo e era preciso descer pela escada.
– Hummm... – mamãe descia os degraus lentamente, ajudando minha avó.
– Talvez um livro de cozinha. Você sabe que Claudinha gosta de cozinhar.
– Além de livro de cozinha?
– Escutei Paola dizer que a presenteará com uma pulseira de prata. Podemos ver um anel ou brincos.
O que acha? – perguntou girando a chave.

Eu ajudei a avó a entrar no carro. Ela se sentou, eu fechei a porta da frente, imediatamente abri a porta de trás e entrei.
– Claudinha tem muitos brincos, talvez o anel seja melhor.

O carro de minha mãe era o modelo de limpeza. Ela não deixava nem jogar um papelzinho no chão, não. Eu abri minha bolsa, peguei uma bala de chocolate e coloquei-a na boca. Minha mãe olhou com ar severo. E, como eu conheço esse olhar, coloquei o papel da bala na bolsa pensando em jogá-lo em algum cesto de lixo do shopping.

Minha mãe estacionou em uma vaga bem perto do elevador, na vaga de idosos. Eu acho que é por isso que ela sempre insiste em levar minha avó ao shopping e ao mercado! Entramos no shopping e a avó caminhou um pouco olhando vitrines, mas rapidamente reclamou porque já estava cansada.

Mamãe disse que ela poderia ficar sentada na praça de alimentação. Vó Ernestina pediu um suco de abacaxi. Mamãe foi comprar e eu fiquei com minha avó. Ela reclamava de dor nos joelhos. Quando minha mãe chegou com o suco, disse que eu e ela iríamos conseguir o presente.

Fotografia de Isabel Furini


No primeiro andar tinha uma loja muito chique. Fomos para lá. A vendedora gentilmente estendeu um pano preto sobre a vitrine de vidro e mostrou uma coleção de anéis maravilhosos. Eu estava ficando vesga de tanto olhar! Eu gostei do anel com uma cabeça de cobra com um pequeno olho de esmeralda, mas mamãe não gostou.



De repente, o celular dela tocou aquela musiquinha infantil (só minha mãe para gostar dessa musiquinha). Era a tia Paula. Ela disse que a tia Claudinha queria mesmo esse novo livro de cozinha que mostram na televisão. Esse, em que uma mulher de avental branco com um chapéu desses que usam os cozinheiros, mas tão grande que fica ridículo, grita: Compre o melhor livro de cozinha do Brasil!

Havíamos escolhido um anel lindo! Mas fazer o quê? A tia queria um livro de cozinha. Sábado ia festejar o seu 32º aniversário. Já estava envelhecendo. Eu lembro quando Claudinha era jovem, gostava de vestir roupa de cor turquesa e pintava os lábios de vermelho, mas agora ela tinha dois filhos e estava gordinha. O marido era representante comercial e viajava muito. Ela ficava sozinha com os filhos inventando pratos novos. Só gostava de cozinhar e de comer. Acho que gostava mais de comer do que de cozinhar. Ela estava obesa. “Eu nunca vou engordar. Viverei sempre como a tia Paola, com um olho na comida e outro na balança”.

Fomos até uma livraria do shopping. O livro estava exposto na gôndola, bem ao lado da porta com o cartaz: Mais vendidos. Minha mãe foi ao caixa e eu fiquei olhando os livros. Com o desejo de ser escritora, precisava saber das novidades literárias. Depois tivemos que fazer fila para pagar o estacionamento. Por fim, fomos até o carro. Minha mãe desligou o alarme e abriu a porta. O segurança do shopping se aproximou.

– A senhora estacionou na vaga de idosos!

Minha mãe abriu os olhos e a boca, tentou dizer algo, mas pareceu ficar sem palavras. Havíamos esquecido minha avó na praça de alimentação. Mamãe ficou no carro e eu corri buscá-la. O segurança estava esperando, pois não havia acreditado. Achava que estávamos fazendo teatro, mas quando me aproximei com minha avó no braço, ele foi muito gentil e abriu a porta do carro. O trânsito estava tranquilo, não pegamos nenhum engarrafamento. Aos domingos é mais fácil andar de carro pela cidade.

Mamãe abriu a porta de casa e minha avó pareceu recuperar a sua energia, correu à cozinha para fazer um bolo. Eu pensei em escrever alguma coisa, mas fiquei deitada no sofá marrom da sala assistindo a um programa na televisão. Bem legal!

*

Mais tarde, ligou minha tia Paola e minha mãe disse que iríamos ao cinema. Minha tia linda chegou. Minha avó, mamãe, tia Paola e eu fomos ao cinema. Entrei na sessão pensando em como é chato ver filmes para velhos quando o vi... Ele estava lá e com a família. João sentiu vergonha de estar com os pais, os avós e outros velhos, que não conheço. Coitado! Senti pena do João! Olhou-me quase com medo e levantou os ombros como dizendo: fazer o quê. Eu mordi os lábios para não rir e também levantei os ombros para que ele entendesse que estava na mesma situação. Ele sorriu só para mim. Não foi como na escola, que às vezes eu o imaginava sorrindo para mim, mas na realidade ele sorria para Renata. Ele sorriu. Sorriu para mim, só para mim. Seu sorriso era lindo!

Ao sair do cinema, fomos à praça de alimentação do shopping, João e sua família também foram. Eu nem conseguia comer a pizza, pois sabia que da mesa que ficava perto da escada rolante, ele estava olhando para meu lado. Olhando-me! Antes de dormir, vi que ele me adicionou no Facebook e estivemos falando. Foi ótimo! Ele disse que odiou o filme, eu também o achei chato. Pareceu que tínhamos os mesmos gostos. Isso foi um grande começo, e estou feliz, querido diário, muito feliz.

Isabel Furini:




Esse conto faz parte do livro "Garotas, Amores e Fantasias", publicado pela editora Instituto Memória de Curitiba/PR, em 2014.



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