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» » » Liana Zilber Vivekananda: EXPRESSIONISMO

O final do século XIX e início do XX teve um período conhecido como “anos dourados” ou Belle Époque. A Revolução Industrial ia ganhando terreno, a ciência parecia oferecer todas as respostas às dúvidas existenciais e angústias do mundo. A natureza parecia estar domada pelo homem em seu benefício.

A arte sempre reflete o pensamento de uma época, sua técnica, suas crenças, seu sentido. É uma manifestação do espírito humano segundo os gregos. Ainda conforme os gregos, a busca do belo e da estética –“aestesis”, o deslumbramento diante da beleza - era um dom de natureza espiritual.

Desde os gregos a arte caminhou muito e assim como a história da humanidade, teve seus momentos de glória, de tristeza, de violência, de horror, de deslumbramento e busca do sagrado, do terreno, dos sentidos.

Os grandes sistemas filosóficos foram caminhando até que na mesma época em que tudo parecia começar a desmoronar teve o início de sua crise. Desde o início do século XIX, começou-se a questionar se a modernidade de fato poderia elevar a humanidade ao patamar sonhado. Apesar de suas promessas de um futuro luminoso, o que se observou é que uma grande quantidade de graves problemas não só não foram resolvidos, mas ressurgiram com grande força. Nós herdamos essa crise ainda não resolvida e ainda vivemos seus impasses. A própria civilização hoje nos cobra posturas controvertidas.

        Por sua posição diante da forma de escrever seus tratados filosóficos podemos considerar Nietzsche como um pensador ligado ao Expressionismo por romper fronteiras e entrar em terrenos desconhecidos. Com sua frase “O grande do homem é ser ponte e não meta”, de Assim falou Zaratustra, Nietzsche dá o nome ao movimento Die Brücke, a ponte, uma das ramificações do Expressionismo. A outra ramificação foi Der Blaue Reiter, O cavaleiro azul.

      No movimento Die Brücke a ideia central é estabelecer uma passagem –ponte- entre a arte da época e a arte do futuro. Rejeitaram os cânones da arte alemã e estabeleceram um elo com a natureza e a realidade. A temática era muito ligada à guerra, às cores fortes, ao sentimento violento. No movimento Der Blaue Reiter a pintura é objeto de pesquisa e a sua relação com a música se tornou estreita. O russo Kandinsky foi seu principal representante. O nome Der Blaue Reiter foi escolhido tendo em vista a paixão de Franz Marc, um dos seus representantes, pelos cavalos, e a predileção de Kandinsky pela cor azul. Kandinsky mesmo pintou um quadro com essa temática que lembra histórias infantis.

     O Expressionismo surgiu como um movimento pós-impressionista. Nascido na Alemanha aos fins do século XIX refletiu posições contrárias ao racionalismo moderno e ao trabalho mecânico. O movimento era contrário à razão e favorável à fantasia. Com influência da filosofia de Nietzsche e do inconsciente freudiano, artistas alemães caminharam com a arte além dos limites da realidade. Sua arte acabou por se tornar expressão da subjetividade.

     No cinema tivemos Friedrich Murnau (Nosferatu) e Fritz Lang (Metrópolis) nos trazendo contrastes de luz e sombra e distorções da realidade. Na música observamos a quebra dos padrões estéticos tradicionais como em Schöenberg.

 
"Starry Night Over the Rhone" por Vincent van Gogh - Desconhecido.
Licenciado sob Domínio público, via Wikimedia Commons.
 Nas artes plásticas, os principais autores que deram início ao movimento, tendo começado como impressionistas, foram: Van Gogh, Gauguin, Cèzanne. Gauguin seguiu a rota do Taiti onde foi capturado pelas cores fortes, pelo figurativo delineado que fugia ao estilo impressionista que abordaremos em outro artigo. Cèzanne foi o precursor do cubismo, enquanto que Van Gogh (ver fig.1) foi o mais importante elo de transformação entre Impressionismo e Expressionismo. Seus quadros de uma força vigorosa passaram a expressar mais o sentimento de angústia e solidão que as paisagens luminosas próprias do estilo impressionista.

Enquanto que o Impressionismo foi um movimento nascido e criado na França, o Expressionismo brotou em solo germânico e de lá se expandiu para os países nórdicos e eslavos. A guerra franco-prussiana, a Primeira Guerra Mundial trouxeram a terrível certeza de que a tão admirada ciência poderia tanto trazer a maravilha do conhecimento quanto destruir. Armas de destruição em massa, a violência, o medo, a insegurança, a fragilidade da vida humana, transformaram a arte em uma internalização destes sentimentos.




Edvard Münch nos apresentou então O Grito (1889), figura decomposta em cores fortes,  expondo o desespero imenso de uma figura que lembrava mais uma expressão humana que o próprio humano.

Neste quadro o ser representado não apresenta linhas reais, mas se contorce pelo efeito das emoções. A sinuosidade do céu e da água dirige o olhar do observador para a boca da figura que se escancara num grito realmente terrificante. Os quadros de Münch trazem muito da dor e tragédia de sua experiência pessoal.
     Paul Klee, admirador da música de Schöenberg, executava seus quadros vinculando-os à própria música. A arte passou a mostrar os sentimentos, afastando-se por vezes do figurativo e já entrando no abstracionismo (ver fig.3).
Red Balloon - 1922 -Paul Klee

    O Expressionismo pode ser considerado a arte do instinto. Em sua subjetividade nos traz a dramaticidade do terror, do medo, da solidão, da miséria humana.

Este movimento tem características próprias, das quais citaremos algumas:
-Domínio do psicológico. O emocional domina o intelectual.
-Cores puras, fortes e violentas.
- A técnica se torna violenta como o que quer expressar. Pasta grossa, martelada, áspera.
-Preferência pelo sombrio e trágico.

     O expressionismo não foi um movimento homogêneo. Nele coexistiam diversos polos artísticos de estilos diferentes, tais como a corrente modernista, fauvista, cubista e futurista, surrealista, ou a abstrata.

Liana Zilber Vivekananda



Liana Zilber Vivekananda é  professora de História da Arte no Solar do Rosário.

Formada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo e em Filosofia pela Faculdade Padre João Bagozzi. Formada pela Escola Panamericana de Arte.

Liana é Especialista em filosofia clínica pelo Itecne.


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Editor da Revista Carlos Zemek

Curador e Artista Plástico.
Membro da Academia de Cultura de Curitiba - ACCUR.

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