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» » Claudia Barral: Sobre o Silêncio - e outras poesias

SOBRE O SILÊNCIO 

Não diga nada diante do fim.
Toda palavra pode vazar,
Toda palavra será mágoa,
Cada palavra será resto.
Qualquer palavra seca há de afogar-nos,
Toda palavra sobra,
Toda palavra sangra,
Cada palavra ferve.
Não diga nada.
Eu pairo em silêncio e cada palavra será chumbo.


Fotografia de Isabel Furini
Escultura  de  exposta no Kirkland Arts Center (Estados Unidos)


MAIAKOVSKI
Uma vez, entrei no quarto do poeta.
Aqui dormiu um homem, pensei.
Aqui viveu um homem.
Aqui morreu um homem.
Aqui matou-se um homem.
Um grande homem.
“Todos os homens são do mesmo tamanho”,
Me disse, sorrindo, o fantasma do poeta.
É a vida, essa que nos mata?
“É”, ele me respondeu,
“A vida nos mata”.
E ninguém sabe de quem era o dedo no gatilho.


Claudia Barral





NOITE

A poesia há de cantar a noite,
As suas esquinas escuras e frias,
Que guardam o amor e a morte,
Entre outras escuridões.

A poesia é esse mistério necessário
Que nos assusta, que nos encanta.

É também uma promessa de luzes vindouras,
Uma esperança.

A poesia é irmã da noite.

E todo poeta escreve no escuro,
Escreve ouvindo rugido de leões,
Todo poeta tem medo,
Está atormentado,
Todo poeta tem vergonha de si mesmo.

Todo poeta tem a estranha pretensão
De,com sua luz pequena,
Iluminar o mundo.


Claudia Barral





APRENDIZADO

É preciso morrer diariamente
Assim como se dorme, noturnamente.
É preciso cumprir a jornada
Da qual o homem entra e sai sem levar nada.
O tempo é o seu tesouro.
Escolhe bem onde vai deixá-lo:
Um pouco no trânsito da cidade,
Um pouco nos braços de uma mulher,
Um pouco nos bolsos dos amigos.
E se cada minuto fosse uma semente,
Quantas florestas teríamos perdido,através do desperdício?


Fotografia de Isabel Furini
Não venha com a desculpa de que é preciso ganhar a vida.
Sua vida já está ganha,lhe foi dada,por motivos que nunca saberemos.
Não venha dizer que é preciso ser alguém.
Você já é alguém,acaso não há espelhos na sua casa,na sua alma?
Então olha e vê.
É preciso aprender com a morte rapidamente
Para que se possa viver plenamente o que se passa, enquanto passa.

Claudia Barral





Claudia Barral (Salvador, 1978) é escritora e psicanalista. Atua em diversos campos da produção literária como dramaturga,roteirista e poetisa.Suas peças de teatro contam com montagens no Brasil e em países como Alemanha,Itália,Portugal e Peru, com destaque para O Cego e o Louco (Versão roteirizada para a TV Cultura em 2007), Cordel do Amor sem Fim (Prêmio Funarte 2004) e Hotel Jasmim (Prêmio Feminina Dramaturgia Heleny Guariba, 2014). Publicações em poesia incluem poemas selecionados pela Revista Poesia Sempre (Rio de Janeiro, FBN,2008) e os livros O Coração da Baleia (Ed. P55, 2011) e Primavera em Vão (Ed. Penalux, 2015). Outras publicações incluem O Cego e o Louco e outros textos (Ed. Cidade da Bahia,1998) e Cordel do Amor sem Fim (Ed.Funarte,2003).

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Editor da Revista Carlos Zemek

Curador e Artista Plástico.
Membro da Academia de Cultura de Curitiba - ACCUR.

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