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» » » Miguel Sanches Neto: Poesias

Ligação
(Miguel Sanches Neto)
Súbito me lembro de um antigo telefone.
Seu número irrompe em minha memória
e não sei de quem é, nem quando nem onde,
sei apenas que é um endereço que dói.
Disco sem esperança estes dígitos antigos
e então ouço chamar numa casa no tempo
à qual me prendo pelo cordão do umbigo
que não pôde ser cortado a contento.
Através de um fio imaterial me religo
às ruínas de uma infância só mito.
Do outro lado, alguém atende o telefone
e a voz que me chega por este conduto
é a da criança que tem o meu nome,
é a que perdi quando me tornei adulto.
(NETO, Miguel Sanches. Venho de um país obscuro, 2000, p.35)


Revendo uma foto antiga
(Miguel Sanches Neto)

Nesta foto do tempo de criança
o que mais me encanta
não é nossa alegria de infantes
mas a réstia de luz de uma manhã
brilhando no chão da varanda.
Ninguém apaga este sol
que nos chega da infância.
(NETO, Miguel Sanches. Venho de um país obscuro, 2000, p.53)



Fotografia de Isabel Furini

Balada do inquilino
(Miguel Sanches Neto)
Esta vida, não se iluda,
É uma casa alugada.
Haverá um dia em que
Não poderemos pagá-la
E seremos despejados.
Antes, outros perderão
O direito de habitá-la.
Aquele que vive no quarto
Com medo do desfecho
E quem, corajosamente,
Armou sua cama na sala
- todos irão do mesmo jeito.
Este senhorio é implacável.
Um dia não poderemos pagá-lo
E então nos expulsará deste berço
E passaremos a noite ao léu
- fantasma que nada tem de seu,
corpo, roupas ou endereço.
Um dia nos livraremos do aluguel.
(NETO, Miguel Sanches. Venho de um país obscuro, 2000, p.65)
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Editor da Revista Carlos Zemek

Curador e Artista Plástico.
Membro da Academia de Cultura de Curitiba - ACCUR.

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