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» » Isabel Furini: Entrevista com Alexander Herzog


Nosso entrevistado é o poeta carioca Alexander Herzog.  Escreve poemas há mais de 25 anos. Tomou gosto pela poesia muito cedo, influenciado (na escola e por professores) pela leitura de autores da literatura brasileira como Castro Alves, Olavo Bilac, Raul de Leoni, Augusto dos Anjos, Carlos Drummond de Andrade e muitos outros poetas. Publica seus poemas em Grupos do Facebook e sites como Recanto das Letras. Fez parte da Antologia Internacional - Espaço do Poeta (Vol.1), organizado pelo Portal Jorge Guedes, junto com a Faculdade Einstein (Salvador, Ba). É coordenador do Grupo Mel Poesias, desenvolvendo os projetos: Revista do Mel Poesias - Natureza Poética, e Vamos relembrar o ser criança?, de poesia infantil. 
Idealizou e coordenou o projeto Geometria no Consulado da Poesias - C&E, onde é "Consul" para projetos literários com poética, cuja finalidade é estabelecer cooperação entre poetas com fins de escrita conjunta de um quadro semântico. 


Alexander, quando começou a escrever poesia?

Há um marco, na minha experiência, que eu considero como o divisor entre quando rabisca tentando escrever versos e quando eu me atentei para esse devir poético, de tentar escrever com mais propriedade. Para falar a verdade, eu não me lembro com exatidão a idade, mas foi por volta dos 13 ou 14 anos de idade. Foi muito curioso, foi de assalto, e de repente, ao assistir um programa de televisão na TVE (TV Educativa, transmissão no Rio de Janeiro), lembro que era o programa Sítio do Pica-Pau Amarelo, e nos comerciais, entrou um quadro sobre literatura com o Castro Alves. Era uma manhã de um dia comum de uma semana. Nesta quadra havia uma declamação de uma sextilha de autoria do Poeta, a seguinte:

Oh! Bendito o que semeia
Livros à mão cheia
E manda o povo pensar!
O livro, caindo n'alma
É germe – que faz a palma,
É chuva – que faz o mar!”

 Esse contato, através da TV, com esse poeta em especial, internalizado e de tal maneira, que levei esse poema à escola e li durante uma aula de português. A professora e muitos colegas automaticamente deram a devida atenção ao fato e a beleza da poesia. 

A poesia foi-me tocada através de Castro Alves, por meio da TVE, e isso nunca mais saiu de mim. Inclusive eu utilizo bastante a interjeição “OH” em muitos dos sonetos que escrevo... O decorrer desse processo foi ler a obra de Castro Alves, estudar os Grandes Poetas, e me imiscuir dos elementos desse universo. Daí, com uma máquina datilográfica Olivetti, de meu pai, eu comecei a escrever quadras (as quais eu perdi, não me recordo mais da maioria) em papel sulfite A4.  

Foi nessa idade que comecei a dar vazão à escrita poética.

Cite os nomes de seus poetas preferidos.

Eu vou dividir em dois blocos as minhas preferências. Levei muito tempo para definir as minhas preferências, pois eu tive a influência de muitos, como ora jogado para uma corrente ora para outra. Mas, com o decorrer do tempo, eu passei a me entender melhor, nesse campo da poesia, dos meus gostos, preferências e influências, de forma que hoje tenha mais consciência e visibilidade sobre isso. Tem uma forte noção de que eles estão diretamente ligados a minha memória poética e nos fundamentos do que eu tento escrever (forma, estilo, recursos) São eles:

Poetas brasileiros (entre Drummond e Bilac, não sei quem influi mais): Castro Alves, Olavo Bilac, Carlos Drummond de Andrade. 
Poetas Internacionais: Luis de Camões, William Shakespeare, Francesco Petrarca
Esses seis Poetas me pesam mais na influência e de forma mais direta. 

Outros poetas, nacionais, influíram sobre minha visão e construção da poética. O Gonçalves Dias, por exemplo, Cruz e Souza. Raul de Leoni e Jorge de Lima. O modernista Manuel Bandeira. Não gostaria de ser injusto com outros Grandes Poetas. Mas foram muitos, e a todos eles eu agradeço por publicarem suas obras. Eu era muito curioso, insone e tinha acesso a muitos livros.

Os internacionais, o Edgar Alan Poe, foi (e é) muito importante para mim. Filosofia da Composição realmente me abriu algumas janelas sobre a versificação e a poética. O Livro Fogo Pálido, do Nabokov, teve um impacto na minha forma de ver a escrita da poesia, pois a estrutura e mensagens do livro são diferentes, há uma complexidade na apresentação da poética do Nabokv nesse livro.. As Canções de Rabin Draná Tagore, os hinos ao povo indiano e à sua Nação, são belíssimos e faz-nos aprender muito sobre à cultura destes país. O Livro Rubaiyat, do Omar Khayyan, uma poética incrível, filosófico e transcendental. Musicalidade do Ezra Pound, a simplicidade elegante do Malarmé, Folhas de Relva, do Whittman, etc. Ah, sim... Não posso deixar de falar do Livro EU, de Augusto dos Anjos, que me deixou estarrecido com a sua visão sobre o ser humano, mas o estilo e forma me chamaram muito a atenção. Pois, é de uma beleza poética e personalidade, com muita precisão no uso da métrica e do ritmo gigantescas, muito marcante. Foram tantos contatos com várias obras de muitos autores e poetas distintos, mas que de alguma forma, creio que menor aos seis principais indicados acima, tenham eles me influenciado, em certo grau, densidade e profundidade, por isso todos ele estão dentro de minha predileção geral.

Aos que esqueci, perdoai-me, já de antemão.


Você já tem livros publicados? Pensa em publicar livros de poemas em 2017?

Eu não tenho livros publicados. Foi uma opção minha, amadurecendo agora, mais neste ano de 2016, para submeter um ou dois livros para publicação no ano de 2017. Serão livros de sonetos, em versos do tipo decassílabo heroico, martelo e alexadrino francês. Mas o assunto, a temática e o enredo, fica como surpresa...


Como surgiu a ideia do projeto Geometria?


Primeiramente, devo explicar o que é o Geometria. É uma ideia que gira em torno da cooperação e interação entre poetas. O produto de cada poeta no Geometria é uma quadra. Que respeita o estilo e a forma, de acordo com a vontade do poeta. A exigência é que o poeta olhe o quadro, considerando o assunto e o tema escolhidos previamente, e assim agregue com sua quadra e o quadro geral, já desenhado pela escrita dos poetas anteriores.

O pano de fundo dessa ideia é a proposição de pintar um quadro semântico. Desde que se entenda que a imagem, e emoção que esta evoca, constrói um significado contido na estrutura do poema feito em conjunto. Um poeta começa a roda, o segundo coloca sua pincelada em palavras, na sequência os demais iriam colocando a sua marca e daí, com um pouco de cada quê poético e sensível dos poetas, a imagem semântica geral do quadro iria sendo pintada. O pincel é a sensibilidade do poeta, a tinta é composta das palavras e a pincelada é orientada pelo talento do poeta.

Mas tudo isso feito em conjunto, de forma sequencial e o resultado é imprevisível, ficando a cargo do momento em que os poetas estão construindo seu entendimento e escrevendo suas quadras.

Começa com uma quadra, um ponto. Logo depois com duas quadras de poetas diferentes, uma reta. Então partimos para o plano, com três poetas. Estes são orientados por um tema recortado dentro de assunto.  Daí, com três poetas, construímos um triângulo. Depois um quadrado, com quatro, e sucessivamente até uma figura de 12 lados, um dodecágono.

A ideia surgiu de uma intuição e a constatação de uma necessidade. A intuição veio do preparo de um treinamento sobre contabilidade para uma equipe. Eu queria ser mais profundo, e fixar a importância de uma ciência para organização empresarial, daí expressar a tradição dessa matéria, uns 500 anos. Então fui buscar na história e me revitalizar sobre o tema, e lembrar a história do matemático Luca Paccioli (1445 – 1517) que foi o criador da contabilidade moderna (um renascentista). Pois, começou a vir uma série de relações de conhecimentos, pois acabei em outros temas sobre os quais o matemático escreveu, como sobre séries de Fibonacci e o número de ouro. Nessa linha, Paciolli também escreveu sobre as obras de Leonardo da Vinci e sobre as aplicações das séries de Fibonacci em suas pinturas, assim como sobre toda a geometria inserida na organização de sua obra pictórica. Pronto, foi aí que estalou a ideia. Veio-me uma pergunta: E se usássemos geometria para construir poemas? Logo me veio uma ideia de pintar um quadro com palavras, e pelo feedback que alguns leitores me davam sobre efeitos do que eu escrevia sobre suas imaginações, durante a leitura, me pareceu bem possível fazer isso de forma mais orientada: criar imagens usando marcadores que denominei como poéticos. 

Eu estava com um desafio no Consulado da Poesia, o de passar conhecimentos sobre métrica e de como a métrica, como ferramenta, poderia desenvolver os ritmos em um poema. Então eu pensei mais adiante: e se tivermos por lá, no Consulado, um projeto cooperativo para pintar um quadro semântico com vários poetas e ainda colocarmos musicalidade? Um imenso soneto em quadras! Afinal, as palavras nos dão sons, nos dão imagens. Pinturas não dão imagens e sons internos. Os dois são vibrações (cores e notas). Mas, pensei, pode ser que isso não saia como eu espero, nem todos dão importância à métrica na escrita (mas quase todos amam ler os clássicos da poesia, como os que eu citei lá em cima...). Portanto, a necessidade de trabalhar a métrica, no projeto do Consulado, demonstrando como funciona e o quanto isso é útil na construção de versos e ritmos (e sobre a utilização de tudo mais que existe de recursos poéticos, como tipos de rima, etc), me deu uma motivação a mais para elaboração do mesmo.

As figuras servem como marcadores, definindo as sequencias e o número de poetas. Serviu também para facilitar e ilustrar os objetivos da construção das rodas, dando-nos elementos mais concretos para fazer a gestão das rodas. A geometria está na construção de imagens, então poderia utilizar esses conceitos de figuras de forma mais didática, além de ser um sistema de coordenadas muito útil, e natural, para fazer gestão dos eventos.


Ainda sobre a parte intuitiva, é difícil me fazer claro quanto a isso. Porque intuição é um fenômeno muito complexo, dificilmente se explica ou se enxerga com precisão como ele se dá, como se desenrola e quando finaliza. Eu penso, foram muitos insights levados pela sequência de informações que fui entrando em contato, mais a preocupação de fazer um trabalho útil e de valor no Consulado. 

Creio que tenha expressado, de forma sintética, como cheguei a ideia do Geometria. Porém, devo informar: este pequeno projeto se desdobrou em mais dois pequenos projetos, na mesma linha, cooperação, e construção imagética, que denominei Geodésia e Astronomia. O que explicarei mais sucintamente em perguntas que estarão mais abaixo.



Poetas, geralmente, são pessoas individualistas. Como foi gerenciar um projeto com poetas que sustentam pontos de vista diferentes e  técnicas diferentes?

Eu tinha noção do desafio de coordenar essa experiência e das dificuldades a serem encontradas. Não vi nada parecido, ainda, nos meios, que não fosse duetos ou trietos (mas é fundamentalmente diferente o que estamos tentando fazer). Mas creio que a metodologia (que ainda devo revelar, depois de registrada), utilizando as figuras, deva ter ajudado aos poetas, nas suas visualizações do direcionamento do trabalho. Passamos algumas orientações sobre o que era o projeto e como queríamos a participação. Tudo através do in box, com poucas publicações explicativas na página do Consulado da Poesia sobre a iniciativa. Então, eu mesmo me dirigia ao in box do facebook dos participantes, em cada rodada, e mandava a primeira quadra (eu a escrevia, com exceção da última rodada), recolhia a segunda, observava os escritos, dava um “OK”, passava ao poeta subsequente, já lhe dando pequenas orientações. Cobrava, caso fosse necessário, a entrega da quadra. À medida que fomos aumentando o número de poetas, a complexidade ficava bem indicativa, então observamos certa discrepância com relação à proposta original do projeto: o conjunto. Mais individualidades, mais fácil acontecer as discrepâncias, então o que fizemos foi reforçar a abordagem junto ao poeta. Também foi necessário começar a assumir o papel de editor a atuar junto à maioria das quadras que nos chegavam. Isso foi feito no in box também, em conjunto com o poeta e chegando a um denominador comum com o mesmo. Eu observei que funcionou, houve concordância entre as partes (muitos poetas perguntavam se suas quadras serviam a cada roda, o que facilitou a cooperação com a coordenação dos escritos). Fomos aprofundando o trabalha na medida entre o ideal e o possível.

Conciliar técnicas, perfis, personalidades de poetas de distintos estilos, não foi fácil. Porém encontramos um caminho, sendo que o respeito, o olhar sensível sobre cada quadra e também sobre o poeta, fosse aplicado de forma humana. Procuramos compreender a cada um dos poetas, e a pessoas por detrás do poeta, dentro do que podíamos, para o fim que almejávamos: completar as doze rodadas do Geometria.

Depois de idealizado, o Geometria foi compartilhado com a escritora e poetisa Patty Freitas (Fundadora do Consulado da Poesia). A Patty também ficou meio confusa e perdida. Eu também fiquei confuso, no início. Mas dividir o projeto e a organização com ela foi fundamental. Pois, assim estabelecemos a cooperação em pró do Consulado, dividimos problemas e angariamos soluções. Assim, fomos achando o ponto certo para primeira experiência do Geometria.

Estabelecer trabalhos cooperativos, sempre foi um desafio humano. O lado lúdico com que foi pregado o projeto ajudou bastante o gerenciamento do mesmo. Afinal, creio que criado um espírito de participação mais leve, mais entretido na brincadeira de escrever e menos no desafio técnico e artístico da proposta inicial deva ter deixado os poetas mais à vontade durante o trabalho. Creio que esse tempero deva permanecer nas próximas experiências. Pois, eu gostaria sempre sentir o prazer dos poetas em participar desse projeto.

Individualmente, a minha formação e experiência de vida em lidar com equipes, com educação, com treinamento, com tecnologias e com informação deva ter facilitado bastante. Eu sou uma pessoa de formação pragmática com certo peso e muito empírico, do ponto de vista da minha área de atuação profissional. Talvez esse perfil e experiência tenham agregado algo na gestão, gerenciamento e construção do projeto. Sendo que o principal foi sempre a arte e a poética que almejávamos como produto (resultado artístico e poético) do projeto.

Devo agradecer grandemente à Patty Freitas, que se tornou co-fundadora do projeto, comigo, por todo apoio e dedicação à organização, desenvolvimento e elabora do material final (o produto) de cada roda do Geometria.


Como foram escolhidos os poetas que participaram do projeto?

A primeira experiência foi em tudo muito teórica, inicialmente. Eu tinha uma visão, uma pré-estrutura, um pré-método. Nós estávamos mais com o objetivo de achar as pessoas que tivessem o perfil mais cooperativo. Não tínhamos uma noção mais consistente sobre quem. Então nós aproveitamos a proximidade, a leitura e conhecimentos sobre alguns poetas e algum know how baseado nos critérios anteriores. Consideramos também o conceito de que todo poeta é sensível, embora individualistas, haverá esforço de empatia e sinergia para cooperar.

Nós pré-selecionamos alguns para começar e deixar que a experiência inicial ditasse o restante. Alguns poetas foram observados, outros meio que sondados (rsrsrs) e outros simplesmente apareceram ao acaso, ou manifestando interesse ou durante solicitações de amizade no Facebook, que demonstrando algum perfil para poeta, eu e a Patty analisávamos se poderia compor. Tentamos ao mesmo tempo, evitar a seleção por amizade. Tornar a composição do corpo de poetas mais neutra. Entraram amigos também, estes trouxeram outros de seus amigos por indicação. Foi tudo muito intuitivo. Tivemos dificuldade com isso, logicamente, que foram a certa falta de um conhecimento mais aprofundado de certos poetas. Mas, por outro lado, essa dificuldade valeu a pena, pois nos exigiu mais atenção, mais foco e nos deu um ponto de vista onde aprendemos a lidar com a falta de conhecimento sobre as pessoas, nos orientando por conceitos mais universais de abordagem empática, compreensão, comprometimento com a pessoa poética, com respeito aos estilo e forma de escrever. A cada poeta que entrava em mais um nas figuras geométricas que abríamos, utilizávamos a experiência anterior com todos os poetas para escolher os próximos. Foi assim que se deu a escolha dos 10 poetas participantes.


Alexander um trabalho poético grupal, muitas vezes, é influenciado pelo poeta que inicia o poema. Como é o processo? Você escolhe o poeta que iniciará o poema coletivo ou todos enviam os trabalhos e depois de realizada a leitura você decide a ordem dos poemas?

Nessa experiência, eu escrevi as quadras iniciais de nove rodas. A Patty Freitas iniciou a última roda, o dodecágono. Eu queria que ela passasse pelo que passei e entendesse a dificuldade de gerir uma roda, no caso, o dodecágono, a roda que ela iniciou, foi a mais difícil. Era a mais extensa, a finalização de toda a 1º experiência e voltamos ao primeiro tema da roda, amor, porém adjetivado como amor puro. Eu queria que relessem todas as rodas construídas e se tudo no qual se inspiraram remetesse a revisão do que é o amor, sendo que todo o amor verdadeiro é puro. Não sei se provocamos essa reflexão ou escreveram de momento, no que estavam sentindo. Mas o objetivo da última roda foi esse. Eu escrevi por último, finalizando e enviando uma mensagem aos participantes e leitores (também não sei se funcionou). Mas finalizamos dentro dos objetivos menores que tínhamos.

Sobre a ordem dos poemas e seus respectivos poetas, ela já é pré-determinada. Quem começa a roda chama o segundo poeta, assim o segundo poeta sempre será o segundo poeta. Logo após vem o terceiro poeta, então ele sempre será o terceiro poeta. Assim, sucessivamente, até o dodecágono. O que vamos pensar em mudar para o próximo Geometria.



Qual foi o resultado. Os trabalhos receberam elogio? Receberam críticas?

O resultado, as pessoas podem ver na página do Consulado da Poesia – Projetos Literários, outras páginas do mesmo Grupo. Recebemos elogios. Eu de professores, inclusive. Os próprios poetas que participaram me deram um feedback positivo. Eles querem participar dos próximos, a maioria me deu esse sinal.  Outros poetas que não participaram querem participar também. Recebemos críticas com algumas ações e resultados sim. Como pela opção da produção de certos materiais, como card’s e forma de apresentação. Essas críticas, nós aceitamos e fechamos a apresentação, por exemplo, em um vídeo com a declamação e produção da Patty Freitas. Nossos objetivos de integração entre as quadras dos poetas e produção do quadro semântico ficaram aquém do esperado. Mas isso faz parte, por ser a primeira experiência, creio ser natural. Mas houve interação e interesse dos poetas em trabalhar em conjunto. Isso ficou visível em muitas rodas. Isso é muito importante.



Como é realizado o vídeo?

A produção do vídeo é feita exclusivamente pela Patty Freitas. Eu mando e recolho as quadras durante o processo de construção do poema coletivo conforme a figura, edito se necessário, confirmo com cada poeta a publicação das suas quadras, coloco num texto por inteiro e mando por email para a Patty. Daí em diante ela faz o vídeo e manda para mim. Eu analiso. Se ok, eu preparo a publicação nas páginas do Facebook, publico o texto com o vídeo e aviso a todos. 



Fale dos projetos para 2017.

O ano de 2017 será um ano muito especial para mim. Devo colher os frutos de muitas ações durante a vida. Frutos positivos. Creio que os acontecimentos dos dois últimos anos tenham me amadurecido bastante. Como a vontade de realizar publicações. Sinto estar chegando a hora para essa realização da minha parte. Portanto, aguardem livros! rsrsr

Aqui pelo Facebook, como falei em pergunta anterior e deixei propositalmente para responder no final, vamos aprofundar o projeto Geometria e reapresentá-lo com novidades para o próximo ano. Tu, desde já Isabel, estás convidadíssima para a próxima experiência. Esta terá como assunto cores, e os respectivos temas serão definidos como uma cor ou um grupo de cores. Estamos analisando as possibilidades e esforços necessários e viáveis, para enxergar o que é melhor para o projeto.

Haverá mais dois projetos associados ao Geometria, pelo Consulado, qu se chamarão, como disse em pergunta anterior, de Geodésia e Astronomia. A noção e objetivo desses projetos são muito simples. 

O Geodésia desdobra a metodologia de marcadores geométricos cooperativos, qual o Geometria, mas utiliza a localização espacial dos seus poetas integrantes para construir um quadro de hábitos e costumes, da geografia espacial e natural das cidades onde os poetas residem. Isso quer dizer que elegemos um assunto, como culinária, e cada poeta fala sobre temas correlatos. Uma comida típica, restaurantes, o que está apreciando ou apreciou no dia em que escrever. Falamos disso numa quadra, revelando a riqueza cultural de suas cidades. O poeta nos indica um CEP (não precisa ser o residencial), nós marcamos no Google Maps e construímos um mapa ligando os pontos onde estão os poetas para forma uma figura geométrica cobrindo a área. Nós elaboramos a imagem para informar ao leitor o percurso das quadras e localização dos poetas. Trata-se de uma nova forma de interação, revelando hábitos, costumes e espaço ambiental onde vivem os poetas. O poeta olha para o seu espaço, externo, onde vive e nos remete a sua visão poética sobre. Sua percepção sobre sua cidade, local, região, território. Há uma forma de se fazer esse tipo de roda, creio que irá ficar muito rica e a interação será muito efetiva.

No Astronomia, o poeta olha para o céu. Escolhe a sua estrela. Inspira-se nela. O poeta dá um giro no céu. Nós elegemos o assunto e o tema. Ele nos envia sua quadra. Cada estrela que o poeta escolher, ele terá que pesquisar e nos passar o seu nome, dado pela ciência ou pelo conhecimento popular, e nos enviar a quadra que fez olhando para o céu... Isso nos dará coordenadas no céu, um mapa estrelar e uma figura geométrica, fruto da ligação entre a posição das estrelas escolhidas que estão no céu. 

A essência desses três projetos, uma trilogia, é a seguinte:

Geometria: o poeta olha para dentro de si e para os outros poetas que escreveram, para quem irá escrever depois. Deixa sua marca na quadra, de acordo com o assunto e tema eleito.

Geodésia: o poeta olha para seu ambiente espacial, onde vive, e escreve sobre algo, previamente eleito, que faz parte da sua vida mais próxima. Arquitetura, urbanismo, culinária, folclore, questões sociais como violência, espaço público, política, etc. Ele revela seu olhar poético no seu entorno.

Astronomia: o poeta olha para o céu, fala sobre os seus sentimentos com relação a tudo. Sobre si, sobre os semelhantes, sobre onde vive. É como o desabafo e comunhão com sua vida e sua existência, procurando num espaço maior o seu sentido de vida. 

São três ângulos diferentes. Quem sabe o poeta se encontre olhando pelos três e nos seus insights e inspiração ele encontre uma nova visão sobre a vida e especialmente sobre sua vida? Os objetivos dessa trilogia é a prática do escrever e olhar poético e levar o poeta a se conhecer e reconhecer os mundos interiores e exteriores. Trazer-nos isso de outra perspectiva...

No grupo Mel Poesias, onde assumi a coordenação recentemente, vamos dinamizá-los mais ainda. Já construímos no Grupo espaços de convívio, e temos visto que essa ação está se desenvolvendo em grupo e para o Grupo. Mas o grande marco, além da cooperação e coletividade que tem sido estabelecida por lá, é a publicação de uma Revista Digital do Grupo, com filosofia e identidade próprias, a ser lançada entre janeiro e fevereiro do próximo ano. Uma revista com a publicação de 20 poemas a serem selecionados entre as publicações no Grupo com cara de uma revista mesmo, como de banca de jornal. Mas totalmente digital. Esse é um objetivo e produto almejado pela coordenação para o próximo ano. Provavelmente vamos surpreender e com o tempo vamos inovar na área. Estamos buscando isso e trabalhando para esse fim.

Esses projetos visam propor uma experiência aos poetas, sem que percam suas essências. Uma experiência na convivência, na interação e na cooperação. Se os projetos frutificarem em poemas e trocas, disso surgirá uma riqueza, O que irá sensibilizar os leitores, tocar seus corações. O que é o mais importante entre tudo que foi anteriormente pensado e sentido. 

Algumas coisas, portanto, devem acontecer em 2017 para a poesia. Assim como para meu plano pessoal, profissional e efetivo-amoroso. Eu estou apostando nos frutos que serão colhidos no próximo ano.
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Editor da Revista Carlos Zemek

Curador e Artista Plástico.
Membro da Academia de Cultura de Curitiba - ACCUR.

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