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» » Maria de Fátima Gonçalves: Estudos sobre a identidade cultural da poetisa Isabel Furini

INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DO RIO GRANDE DO NORTE.
CURSO: Literatura e Ensino (especialização)
DISCIPLINA DE PÓS-GRADUAÇÃO: Estudos Culturais
PROFESSORES: Francisco Leandro, João Batista e Maria Eliane
Discente: Maria de Fátima Gonçalves
ATIVIDADE AVALIATIVA DO MÓDULO IV: Minicurso
TITULO DE MINICURSO: Estudos sobre a identidade cultural da escritora e poetisa Isabel Furini na perspectiva de identidade cultural pós- moderna.
             I ENCONTRO SOBRE LITERATURA E ESTUDOS CULTURAIS
                                                           
                                                                  ***

PROFESSORA RESPONSÁVEL: Maria de Fátima Gonçalves

                                                           E-mail: fatimamare@bol.com.br

Mini Currículo: graduada em pedagogia (UFRN) pós graduanda (especialização) em Literatura e ensino (IFRN) professora e poetisa. Com poemas publicados no site Recanto das Letras e no Blog da escritora poetisa e educadora Isabel Furini.

INSTITUIÇÃO DO RESPONSÁVEL: Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte

TÍTULO: Estudos sobre a identidade cultural da escritora e poetisa Isabel Furini na perspectiva de identidade cultural pós- moderna. 

PÚBLICO-ALVO: estudante da Educação Básica (Ensino Médio)

NÚMERO MÁXIMO DE PARTICIPANTES: 50 estudantes.

OBJETIVO(S):

Entender os três tipos de identidades (Iluminismo, sociológica e pós-moderna) situadas por Stuart Hall;
Ter acesso a biografia e obras literárias (poemas, crônicas e contos) da escritora Isabel Furini;
Saber identificar elementos das estruturas dos textos como fatores que definem a identidade da escritora como pós- moderna;
Assimilar as ideias da escritora, Isabel Furini por entrevista concedida via email no que toca a ideia de identidade nacional, local, comunitária no processo do estágio da globalização;  
Entender a postura da escritora ao articular os contextos literários: antigo e de tradição numa realidade contemporânea. 

EMENTA:

Identidade cultural pós-modernidade (sujeito do Iluminismo, sujeito sociológico e sujeito pó- moderno);
Uma síntese biográfica da escritora Isabel Furini contendo os principais dados pessoais e profissionais;
Uma breve análise sobre o livro “A BARCA DE RÁ - POEMAS DA TRAVESSIA DOS PERSONAGENS MORTOS PELOS PORTAIS DAS 12 HORAS”. 
Estudos dos poemas (“PRANTO INDÍGENA” E “GENTIL GESTO”) e a crônica (“AMOR UNIVERSAL NA LÍNGUA”).
Exposição da entrevista com a escritora concedida via e-mail (a respeito da identidade pós-moderna considerando a questão da identidade nacional, regional, local e comunitária no mundo global). 
Vídeo com duração de 2 minutos sobre exposição e lançamento do livro “Outros silêncios”. 
Dinâmica de identidade e valores.

JUSTIFICATIVA: 

O presente trabalho tem como finalidade primordial desenvolver um pensamento crítico reflexivo a partir de uma articulação do saber teórico e prático no que diz respeito às identidades culturais abordadas por Stuart Hall considerando estudos realizados sobre a ou as identidades da escritora e poetisa Isabel Furini na perspectiva de uma identidade literária pós-moderna. Os referidos estudos foram realizados a partir de leituras e análises de algumas obras literárias (poemas, contos e crônicas assim como também entrevista semi-estrutural concedida via E-meil e leitura biográfica da autora).  É inquestionável a importância da literatura para a construção de identidades do sujeito enquanto intelectual principalmente no que toca à literatura regional, local, comunitária e nacional, todavia sabemos que o período histórico contemporâneo ou pós-moderno traz características bem pertinentes a uma aldeia global em que as culturas nacionais vão cada vez mais se hibridizando e dando espaço para múltiplas identidades de plurais referências. Sendo assim, este minicurso objetiva desenvolver um estudo articulado literatura, estudos culturais e identidade pós-moderna tendo como saber prático a realidade dos escritos literários (obras) da escritora e poetisa Isabel Furini com um olhar dirigido para a identificação de uma identidade pós-modernidade sem desprezar um posicionamento crítico acerca dos pontos negativos e positivos do fenômeno globalização na concepção de literatura e estudos culturais.

METODOLOGIA:

Aula do dia 20/02/2017, será ministrada em dois momentos o primeiro iniciará com uma dinâmica sobre identidade e valores, logo após será exposto em slides o conteúdo sobre tipos de identidades na visão de Stuart Hall (aula expositiva dialogada) intervalo de 10 minutos em seguida será exposto em slides à biografia da escritora Isabel Furini e entrega de uma cópia em papel ofício 4A da crônica (“AMOR UNIVERSAL NA LÍNGUA”) para a turma. E também exposição de um roteiro de leitura contemplados os aspectos internos e externos da obra. Será solicitado à turma que se divida em grupos com no máximo 10 componentes. Cada grupo vai ler a crônica e registrar em uma folha as impressões da obra que leva a autora a ser identificada como escritora de identidade pós-moderna. Será escolhido por cada grupo um componente do grupo para compartilhar para todos os participantes os registros feitos em grupos. A aula será finalizada com uma breve análise do livro em PDF “A BARCA DE RÁ - POEMAS DA TRAVESSIA DOS PERSONAGENS MORTOS PELOS PORTAIS DAS 12HORA" e disponibilizada o link o qual o livro pode ser acessado para os participantes lerem como atividade extraclasse. 
Aula do dia 21/02/2017, será ministrada em dois momentos o primeiro os participantes vão expor suas impressões sobre a leitura do livro sugerido como leitura extra classe, logo em seguida será exposto em slides uma entrevista semi estrutural  feita pela ministrante do minicurso via email com a escritora. Depois da exposição da entrevista será aberto um momento de 30 a 40 minutos para discussão acerca do conteúdo da entrevista. Após esse momento será entregue aos participantes dois poemas intitulados “Pranto Indígena” e “Gentil Gesto” em papel ofício 4A para os participantes lerem e fazer uma análise acerca da identificação de identidade da escritora enquanto  nacional e global tendo como embasamento teórico os tipos de identidades situadas por Stuart Hall e a entrevista à qual se refere mais a questão de identidade regional,  local, comunitária e nacional articulando com o contexto atual da globalização. O encerramento da aula se dará com a exposição de um vídeo o qual a escritora Isabel Furini falar sobre a publicação de mais um livro (“Outros Silêncios”) de sua autoria assim como também traz uma exposição de artes plásticas com o mesmo tema do título do livro.  

EQUIPAMENTOS E MATERIAIS NECESSÁRIOS:
Data show, notebook, folha de papel ofício 4A.

LOCAL: Sala de aula B do setor I IFRN central 
Avenida Salgado Filho, Tirol Natal-RN 

DATA DO MINICURSO: 
De 20 a 21 de fevereiro de 2017, no horário vespertino de 13h. 30 min às 17h. 30 min.

BIBLIOGRAFIA BÁSICA:
Poemas: Pranto indígena, Chapéus e Gentil Gesto. Disponível em: https://www.facebook.com/comendadoraisabelfurini/ acessado em: 30 de jan de 2017.
Crônica: Amor universal na língua. Disponível em: Isabelfurini.blogspot.com acessado em 29 de Jan de 2017
Vídeo YouTube: exposição e lançamento do livro “Outros Silêncios” publicado em 10 de Jun de 2015. Entrevista concedida a TV educativa Paraná. 
Livro: A BARCA DE RÁ - POEMAS DA TRAVESSIA DOS PERSONAGENS MORTOS PELOS PORTAIS DAS 12 HORA". PDF  Disponível em: 
http://revistacazemek.blogspot.com.br/2017/01/livro-de-poemas-barca-de-ra.html: acessado em 26 de Jan de 2017.
GONÇALVES, Ana Maria e PERPÉTUO, Susan Chiode: Dinâmica de grupos na formação de lideranças, Ed. DP & A, 1998.
Livro em PDF Stuart Hall: Identidade cultural pós- modernidade. Disponível em:
https://comunicacaoeesporte.files.wordpress.com/2010/10/hall-stuart-a-identidade-cultural-na-pos-modernidade.pdf.
Biografia de Isabel Furini. Disponível em: 
https://sitedepoesias.com/poetas/IsabelFurini, acessado em: 03 de fev. de 2017.

ANEXO:

PRANTO INDÍGENA
Cadê nossas pegadas
Nas areias do mundo?
Em um grande buraco serão enterrados
Nossos corpos
e chorarão às árvores, as estrelas e o rio.
Isabel Furini

GENTIL GESTO
No mundo globalizado
Vivemos famintos de palavras
e de amizades. 
Traços sombrios percorrem as cidades.
Estranhos rostos subentendidos
na sombras das árvores das calçadas. 
O medo agita os corações. 
De repente, surge um gesto amistoso
e é reorganizado o ritmo das emoções. 
Isabel Furini

CHAPÉUS
Nos espelhos ancoram
oceanos de emoções
e podem refletir
sua essência nos espelhos,
mas preferem
espelhar-se no infinito.
Isabel Furini

OBS: (poema “CHAPÉUS” foi utilizado na dinâmica sobre identidade e valores)

AMOR UNIVERSAL NA LÍNGUA (CRÔNICA)
É assim como uma amiga chama o fato de escrever frases positivas, repetir, enviar por e-mail, pelo Twitter, pelo Facebook, de maneira quase obsessiva, mas não resistir a uma opinião diferente. Muito amor, muita paz, muita boa vontade, até que alguém expresse uma ideia contrária a deles, nesse momento “o amor universal” que estava na língua cai fora e aparece o verdadeiro eu, com suas raivas, frustrações e limitações.
Pessoalmente acho invasivo alguém bombardear o e-mail e a página nas redes sociais de outra pessoa para divulgar as próprias ideias, sejam religiosas, políticas ou positivas. É o fanatismo de querer impor uma maneira de pensar aos outros. A máscara pode ser o amor universal, mas atrás da máscara está o desejo de impor um determinado ponto de vista.
Isso me faz lembrar uma tira cômica que vi há algum tempo. O primeiro desenho mostra dois grupos de pessoas em lados opostos de uma rua, ambos os grupos com cartazes dizendo “Paz”. No segundo momento, os dois grupos se encontram e brigam porque cada grupo acha que está divulgando a verdadeira paz.
Enfim, nesta época, além da ditadura da beleza, temos que suportar a ditadura da felicidade… Sim, porque há pessoas que exigem que os outros sejam felizes o tempo todo, como se isso fosse possível. Mas é só mexer um pouquinho na tinta das letras para ver o eu humano, limitado, frágil, impermanentemente buscando o carinho, a aprovação ou simplesmente o aplauso.

* Isabel Furini é escritora e poeta premiada, autora de "Escrevendo Crônicas: Dicas e Truques".

Dinâmica Identidade e Valores (poesia musica e crônica)
Finalidade: Consiste em ouvir uma poesia e/ou música para ajudar na introdução de um assunto ou de uma vivência subjetiva.
Material: Letra (cópia xerográfica ou mimeografada) de uma poesia ou canção.
Descrição da dinâmica:
Escolher uma poesia ou canção sobre o tema a ser trabalhado.
Dividir os participantes em grupos.
Cada um lê em voz baixa, murmurando.
Escolher a palavra que mais marcou, em cada estrofe.
Gritar essas palavras juntas, bem alto. Depois bem baixo, até se calar.
Andando, procurar sua “palavra-sentimento” com outra pessoa do grupo.
Explique, sinta, expresse, toque.
No seu grupo, responda o que você faria com esse sentimento-palavra trocada.
O grupo deve montar uma história com os sentimentos trocados e com a poesia recebida.
Cada grupo apresenta no grupão sua história de maneira bem criativa.
Buscar o que há de comum em todas as histórias.
Comentários: 
Este trabalho leva à reflexão de um tema/assunto, abrindo um espaço para que as pessoas falem de um assunto sob diferentes olhares.
Contribui para o desenvolvimento da expressão verbal e do trabalho coletivo.


Fátima Gonçalves e  Luciane Terra

ENTREVISTA

Entrevistada: Isabel Florinda Furini (Escritora e poetisa)
Entrevistadora: Maria de Fátima Gonçalves (Professora e discente de pós-graduação).

 Profª: "As identidades nacionais não são coisas com as quais nós nascemos, mas são formadas e transformadas no interior de uma representação". Considerando essa afirmativa de Stuart Hall e sabendo que você já habitou em três países (Argentina, Colômbia e atualmente Brasil) você tem identidades nacionais e de qual país? Ou suas identidades nacionais são hibridizadas (surgimento de novas identidades multireferenciais)?
Esctª: Uma poesia de Mário Quintana pode responder a sua pergunta: “Não importa que a tenham demolido. A gente continua morando na velha casa em que nasceu”. Os primeiros anos de vida são os que formam a personalidade do ser humano. Você pode adquirir hábitos diferentes conhecendo outros países, seus usos e costumes, mas no mais profundo do ser, as primeiras lições e os primeiros exemplos recebidos estão sempre vivos e pulsantes.

Profª: É sabido que a literatura nacional, regional, local e comunitária são elementos importantíssimos para a construção da identidade intelectual do indivíduo. Considerando essa realidade qual a sua visão enquanto escritora no que tange às consequências da globalização?
Esctª: Já nos primeiros graus do ensino fundamental começamos a estudar a história da humanidade. Geralmente, aprendemos sobre guerras, como se levantaram e como caíram os impérios da antiguidade. A história da humanidade é permeada de violência. A globalização, apesar de receber inúmeras críticas, é um esforço para que o ser humano perceba que mesmo com as diferenças podemos conviver pacificamente com outros povos. 
A literatura é um espelho do mundo e quando ele muda, a literatura também precisa ser modificada. A globalização exige que o escritor seja um observador arguto.  O mundo atual é veloz, dinâmico, que permite muita interação através das redes sociais. Consequentemente, a literatura também mudou suas características. Na literatura atual se fala de desconstrução do texto. O texto certinho ficou no passado. A preferência pelo tempo labiríntico (oposto ao tempo linear), a construção polifônica, o jogo linguístico, fala das diferenças com a literatura clássica. O miniconto, por exemplo, é típico desta época. 
O escritor precisa reconhecer os elementos que mudam no mundo.  Nesta época de globalização o olhar do escritor precisa ser semelhante ao do psicólogo e do sociólogo, para que seus personagens espelhem as mudanças comportamentais da sociedade.

Profª: O mero fato da sua identidade enquanto escritora ser pó- moderna (não fixa, não unificada, não individual no sentido do eu ser o centro da razão, mas sim em processo contraditório e transitório, de plural identidade que tem o futuro como perspectiva de visão é não o passado este específico do sujeito da Identidade do Iluminismo ou tradição) não lhe impede de fazer articulações literárias com as identidades culturais do período histórico antigo e da tradição? Justifique. 
Esctª: O homem faz parte dessa roda que é a história. O escritor não pode se fechar em seu mundinho, em seu espaço-tempo. Ele tem a possibilidade de alimentar seu mundo ficcional com elementos do passado ou do futuro. O importante é recriar o ontem, ou seja, trabalhar o texto para que o passado histórico se torne um passado ficcional. A crônica trabalha com elementos do dia a dia, mas o conto, o romance, a poesia, podem afastar-se do cotidiano e recriar mundos imaginários.

Profª: Qual o propósito comunicativo para com os leitores da sua obra "A BARCA DE RÁ - POEMAS DA TRAVESSIA DOS PERSONAGENS MORTOS PELOS PORTAIS DAS 12HORA"?
Esctª: A fantasia não pode ter limites. O autor precisa de liberdade para se mover no tempo e no espaço. Essa obra está construída de maneira polifônica. Existe união de elementos: A barca de Rá, (mitologia egípcia), o Coral que em cada capítulo interrompe a narrativa - lembra o teatro grego - e no final de cada capítulo aparece a fala de alguns personagens de livros marcantes, entre eles: “Pedro Páramo” de Juan Rulfo; Úrsula de “Cem Anos de Solidão” de Garcia Márquez,  Ofélia (de “Hamlet”) de Shakespeare, entre outros. O medo desses personagens é cair no esquecimento, morrer. A pergunta fundamental é. Se o mundo caminha para a exacerbação do consumismo e da tecnologia, será que os personagens resistirão ou morrerão?

Profª: Qual a intencionalidade da escritora ao trazer uma ficção literária dentro de outra ficção de um contexto da antiguidade e da tradição para um contexto contemporâneo?
Esctª: O mundo exterior foi mudado com a tecnologia. Mudou também nossa maneira de viajar, de vestir e de nos comunicarmos. Mas o ser psicológico teve poucas mudanças: os instintos, as emoções, continuam dominando a vida humana. Só que o homem aprendeu a racionalizar, a mudar as perspectivas. Por exemplo: se você está em um shopping e um homem com um revólver ameaça as pessoas, elas correrão sem pensar para onde estão indo. O instinto as levará a afastar-se o mais rápido possível do perigo. Todos correrão juntos: o ator famoso, a diarista, o respeitado juiz, a secretária, o pedreiro, o médico, a pedagoga, o desempregado... Pessoas de diferentes idades, sexos, condição econômica, social ou profissional terão a mesma atitude: fugir. É o comportamento imposto pelo instinto de sobrevivência. Ou seja, os instintos permanecem através do tempo. O egípcio antigo vivia a ficção de seus deuses, mas o homem moderno também vive uma ficção: a ficção da tecnologia e da invulnerabilidade. Procura segurança (isso é instinto), e sente-se seguro com uma conta bancária forte, com uma bela casa com muros, enfim, acha que está sempre enganando e driblando a morte. Nossa ficção contemporânea faz com que adolescentes corram o risco de se machucar e até morrer tirando selfies em locais perigosos. Isso porque o ser humano tem a capacidade de fabular, e esse poder fala ao ouvido do jovem que é preciso tirar uma foto especial para ter muitas curtidas. Essa selfie pode lhe dar visibilidade. Desejará o jovem ser aplaudido? Ser amado? Aquele homem que vivia no Antigo Egito não tinha celular, nem internet, mas também queria ser admirado e amado. Talvez alguns jovens morreram ao atravessar o rio Nilo nadando para despertar a admiração de seus amigos ou o amor de uma mulher.
Em síntese: o livro A barca de Rá tenta resgatar esse encantamento, essa ficção da qual todos fazemos parte. 

Profª: Tem como você falar um pouco sobre os símbolos e as diferentes cores que compõem cada capítulo do livro?
Esctª: O símbolo que escolhi foi Amon-Rá, que é um símbolo solar. No centro está o Sol ladeado por duas serpentes, e pelas asas. Como era um dos símbolos do poder do faraó, decidi usá-lo ao iniciar cada capítulo. Para que a imagem não fique cansativa mudei as cores com um programa do computador. Mas foi só com essa finalidade, não tendo nenhuma relação com a simbologia do Amon-Rá. Na Mitologia do Antigo Egito o dia era dividido em quatro partes: o nascer do sol, o meio-dia, o pôr do sol e a noite. Os egípcios imaginavam que à noite o Sol viajava em um barco rumo ao leste. Nessa viagem ao mundo das sombras, tinham de lutar contra Apópis, a serpente do mundo inferior que tentava devorá-los. De manhã o Sol triunfante aparecia no céu e se iniciava uma nova jornada. Durante a noite a barca de Rá enfrentava diferentes desafios. Cada hora era representada como um portal. Nesse mundo criado pela imaginação dos egípcios coloquei os personagens de alguns livros. Eles são chamados para fazer parte da viagem. Cada um deles carrega a sina designada pelo autor. Cada personagem é um ser fixo, estático, criado por um escritor, mas possui o poder de desafiar a nossa imaginação e de nos emocionar. 



Isabel Furini no lançamento de Vírgulas e outros Silêncios
BIOGRAFIA:
Educadora e escritora, de nacionalidade argentina, escreve poemas desde criança. Suas poesias foram premiadas no Brasil, na Espanha e em Portugal. Publicou 35 livros, entre eles a Coleção \\\"A Corujinha e os Filósofos\\\" da Editora Bolsa Nacional do Livro, em 2006, \\\"Joana a Coruja Filósofa\\\" e \\\"O Grande Poeta\\\", para o público infantil. Publicou \\\"Os Corvos de Van Gogh\\\" e \\\", e Outros Silêncios\\\" (Poemas). Foi nomeada Embaixadora da Palavra pela Fundação Cesar Egido Serrano (Espanha); Embaixadora da Rima Jotabé, Espanha; recebeu Comenda Ordem de Figueiró e foi nomeada Embaixadora Internacional e Imortal da Poesia pela Academia Virtual de Letras, Artes e Cultura do Brasil, em 2015.

                                                                  ***
Fátima Gonçalves - Formatura



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Editor da Revista Carlos Zemek

Curador e Artista Plástico.
Membro da Academia de Cultura de Curitiba - ACCUR.

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