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» » » Entrevista com Marcio Renato dos Santos


Marcio Renato na fotografia de Henrique Pereira

MARCIO RENATO

Marcio Renato dos Santos, 42 anos, lança o seu sexto livro de contos, Outras dezessete noites, dia 12 de abril na Livrarias Curitiba do Shopping Estação. O evento tem início às 19h30 com um bate-papo mediado pela fotógrafa Ale Moretti e pelo jornalista Reinaldo Bessa. Em seguida, sessão de autógrafos. O autor se dedica exclusivamente ao conto e, nesta entrevista, comenta como teve início a sua trajetória, quais são os seus hábitos literários, os autores de sua preferência, entre outras questões. Mestre em Estudos Literários pela UFPR, Marcio Renato dos Santos é jornalista e trabalha na Biblioteca Pública do Paraná, onde, entre outras atividades, produz reportagens para o jornal Cândido. Informações sobre a literatura de Marcio Renato dos Santos podem ser encontradas em minda-au.blogspot.com, tulipasnegraseditora.blogspot.com, no Facebook da Tulipas Negras Editora e do próprio autor (basta digitar Marcio Renato Dos Santos).


Como foi o início de sua carreira de escritor?

A sensação é de que todo dia, a cada novo conto, a cada novo livro estou iniciando. O meu primeiro livro, Minda-au, foi publicado em 2010 pela Record. Golegolegolegolegah!, o segundo, saiu pela Travessa dos Editores, em 2013. A partir de 2014, passei a ser publicado pela Tulipas Negras. Em 2014, surgiu 2,99. No ano seguinte, Mais laiquis. Em 2016, Finalmente hoje. Agora, em 2017, estou com o meu sexto livro de contos, Outras dezessete noites. Dá a impressão de que ainda é o começo, apesar de tantos contos, de seis livros publicados, além da participação em coletâneas. Um conto meu está traduzido para o alemão na coletânea alemã Wir sind bereit.


Você é metódico? Tem horário para escrever?

Estou com 42 anos, no dia 28 de abril completo 43, e desde os 16 anos leio e escrevo todos os dias. No momento, uso uma hora toda noite para escrever. Todos os dias. Sem interrupção. Já escrevi pela manhã e até durante as tardes. Mas o importante é isso: escrever todo dia. Evidentemente, não escrevo apenas enquanto estou em frente ao computador. Ao caminhar, durante o café, no almoço, em qualquer momento do dia estou escrevendo, observando, enquanto leio (e ler estimula), dormindo, em alguma medida escrevo durante as 24 horas, inclusive o sonho me oferece situações que recrio na ficção.


Como foi gestado seu novo livro Outras dezessete noites? Como realizou a escolha dos contos?

Os dezessete contos de Outras dezessete noites foram escritos entre janeiro e dezembro de 2016. Eles aparecem no livro na sequência em que foram escritos. Todos, no entanto, foram reescritos, inúmeras vezes. Quando eu estava com o sétimo conto finalizado, me dei conta de que havia uma conexão entre o primeiro e o segundo, entre o segundo e o terceiro, entre o terceiro e o quarto, entre o quarto o quinto, entre o quinto e o sexto e entre o sexto e o sétimo. A última frase de cada conto anuncia o conto seguinte, apesar de que cada frase final tem o seu efeito próprio e também finaliza o conto em questão. Essa proposta de contos interligados é antiga e aparece, por exemplo, no clássico árabe o Livro das mil e uma noites. Daí o título: o meu sexto livro, publicado em 2017, traz 17 contos e por isso se chama Outras dezessete noites.


Alguns escritores como Jorge Luis Borges procuram uma palavra, outros, como Garcia Márquez, fixam sua atenção em alguma imagem antes de iniciar um conto. Como é o seu processo criativo? Como surge o conto na sua mente?

Uma canção. Uma cena que observo na rua. Uma frase que leio ou escuto. Um post no Facebook. Um comentário em um post no Face. A estratégia que determinada pessoa usa para postar no Face ou para agir e reagir na vida. Os livros que leio, no momento sigo na companhia de Os garotos da rua Paulo, de Ferenc Molnár, Mar paraguayo, do Wilson Bueno, Travessias, do Marco Aurélio de Souza, Odisséia, de Homero, Viva a língua portuguesa, de Sérgio Rodrigues, Utopia, de Thomas More, e de outras obras. Tudo isso me traz sugestões para escrever. Os filmes de Ingmar Bergman, Jean-Luc Godard, Gaspar Noe, Sidney Lumet, David Lynch e Fernando Severo, as canções de Michael Jackson, Caetano Veloso, Nei Lisboa, Justin Bieber, Beatles, Rolling Stones, Jimi Hendrix, Jorge Mautner, Luiz Melodia, Dary Jr, Tom Jobim, Relespública, Charme Chulo e Gilberto Gil também me estimulam. A voz da Elza Soares. O canto da Ana Carolina, da Maria Gadú, da Tiê, da Gal Costa, da Marisa Monte, da Pitty, da Céu, da Zizi Possi, da Angela Ro Ro e da Bethânia. O álbum Notorius, do Duran Duran. O aparentemente não fazer nada é outra fonte de inquietação capaz de deflagrar o início de um conto. E, sem dúvida, a leitura de contos é outra maravilha.

O jornalista nem sempre pode escrever o que está na sua mente. Ele não é livre. Está condicionado pelas regras da empresa na qual trabalha. Você considera que sua profissão ajuda ou prejudica seu trabalho de escritor?

Fazer jornalismo ajuda, sempre ajuda. Escrever uma reportagem ou uma nota, seja num jornal ou em uma assessoria de imprensa, é uma atividade estimulante. O sujeito que se esforça para fazer um texto jornalístico, ou de assessoria de imprensa, acaba entendendo o mecanismo de escrita, principalmente se não se acostumar com fórmulas. Se cada nova reportagem ou nota se apresentar como um novo desafio, vale muito ser jornalista ou assessor. Mas fazer jornalismo, ou atuar em assessoria de imprensa, também coloca o sujeito em contato com o mundo, com pessoas e situações diferentes e inesperadas. É vida. E isso é útil para alguém que deseja escrever ficção.

Dos contos que você escreveu, quais são os seus preferidos?

Cada livro meu parece que foi escrito por um autor diferente. Gosto de todos, mas prefiro os mais recentes, no caso, os de Outras dezessete noites.

Em âmbito de Paraná, quais mudanças você observa no trabalho dos contistas?

O conto tem tradição no Paraná, especialmente em Curitiba, sobretudo pelo legado de Newton Sampaio e de Dalton Trevisan. Coletâneas como Livro dos Novos, publicado pela Travessa dos Editores, revelam vozes jovens. Tem, de fato, muita gente escrevendo e publicando conto. Agora, é fundamental citar a obra de Luci Collin, uma escritora que consegue ótimos resultados seja na prosa, romance e conto, e também na poesia. Os contos da Luci Collin, em especial os do livro de contos A árvore todas (assim mesmo), merecem leitura e releitura. A curitibana Luci Collin é uma das vozes mais instigantes da literatura brasileira contemporânea.

Você poderia dar algumas orientações para os novos escritores?

Convivi com o Wilson Martins, o lendário crítico literário, o querido e estimado Wilson, que saudade. Ele costumava dizer que os iniciantes precisam de dificuldade, de muita dificuldade e obstáculos. Acho que isso é fundamental para quem está chegando. Ter, até mesmo criar, e enfrentar dificuldades. Faz um bem danado. Não acreditar em nada que é fácil, nem soluções fáceis (para um conto), nem elogios fáceis (desconfiar de elogios) e seguir na luta como se o mundo fosse (e ele é) um território inimigo. Lutar. Escrever. Lutar. Ler. Dormir. Lutar. Sonhar. Lutar. E mais: se tiver recalque, tentar eliminá-lo. Deixar a rima sem mágoa, sem nada, não perfumar a flor. Evitar a pieguice, matar a pieguice. Demolir a pieguice. E ler, ler, ler. Ler a obra de um autor por ano. Neste ano, ler todo o Machado de Assis. Ano que vem, a obra do Drummond. Depois, a do Manu Bandeira. Em seguida, a do Dalton Trevisan, a da Luci Collin, a do Miguel de Cervantes. E, simultaneamente, ler os contemporâneos, os colegas, os amigos, os inimigos, os desconhecidos e, em especial, os livros desprezados pelos cadernos de cultura e pelos jurados dos prêmios literários.

Pode citar os escritores que mais admira?

Admiro tantos. Contistas: Machado de Assis, Luci Collin, Julio Ramón Ribeyro, Antonio Carlos Viana, Jorge Luis Borges, Jamil Snege, Caio Fernando Abreu, Sergio Faraco, Júlio Cortázar, Dalton Trevisan, Anton Tchekhov, Marçal Aquino, Guy de Maupassant, Murilo Rubião, Lima Barreto, André Sant’Anna, Sérgio Sant’Anna, Jorge Ialanji Filholini, Clarice Lispector, Paulino Júnior, Cintia Moscovich, Marcelino Freire, etc. Poetas: Marco Aurélio de Souza, Fernando Pessoa, Luci Collin, Drummond, Juliana Meira, Marcelo Montenegro, Fabiano Calixto, Bandeira, Chacal, Manoel de Barros, Douglas Diegues, Ronald Augusto, Bárbara Lia, Sérgio Medeiros, Jandira Zanchi, Homero, Rilke, Rodrigo Garcia Lopes, Carpinejar, Antonio Cícero, Djavan, Lenine, Caetano Veloso, Nei Lisboa, Leoni, Moska, Helena Kolody, Hilda Hilst, Affonso Romano de Sant’Anna, Ana Martins Marques, Waly Salomão, Ruy Espinheira Filho, Quintana, Baudelaire, Ferreira Gullar, Rimbaud e Leminski. Romancistas: Enrique Vila-Matas, McEwan, Ernani Ssó, Ricardo Piglia, Luci Collin, Melville, Wilson Bueno, Carlos Nascimento Silva, Manoel Carlos Karam, Bonassi, Luiz Rebinski, Chico Buarque, André Sant’Anna, Rogério Pereira, Marques Rebelo, Machado de Assis, Roberto Gomes, Thomas Mann, Guido Viaro, Carlos Eduardo de Magalhães, Maria Valéria Rezende, Valêncio Xavier, Bernardo Carvalho, João Gilberto Noll, Rubem Fonseca, Moacyr Scliar, João Guimarães Rosa, Mário de Andrade, etc. Gosto também de biógrafos, principalmente o Ruy Castro e o Joaquim Ferreira do Santos. O Pedro Nava e o Rubem Braga são releituras permanentes. Encontro textos incríveis na imprensa, como o do José Carlos Fernandes e o do Omar Godoy.

Qual atitude você espera dos leitores de seu novo livro? Qual é o seu leitor ideal?

Gostaria que as pessoas viessem a ler os meus contos. Se pudessem reler, melhor ainda. Já pensou ser lido pelos curitibanos e pelas curitibanas? Seria demais. E depois, vir a ser lido em São Paulo, Araucária, Salvador, Campos Largo, Porto Alegre, Paranavaí, Londrina, Palmas, Maringá, Florianópolis, Rio Negro, Belo Horizonte, Ponta Grossa, João Pessoa, Foz do Iguaçu, Santa Cruz do Sul, Guaratuba, Santa Maria, Matinhos, Campinas, Niterói, Matelândia, Rio de Janeiro, Jacarezinho, Paris, Paranaguá, Nova York, Pato Branco, Lisboa, Cornélio Procópio, Barcelona, Loanda, Tóquio, Piraquara e Berlim. Gostaria mesmo que meus contos fossem lidos. O leitor ideal é o que lê, é um leitor, uma leitora, que pode ser você, por que não?
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Editor da Revista Carlos Zemek

Curador e Artista Plástico.
Membro da Academia de Cultura de Curitiba - ACCUR.

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