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» » » Thadeu Peronne entrevistado por Isabel Furini


Thadeu Peronne - Foto de Roberto Reitenback


Thadeu Peronne - 
Thadeu, fale sobre o teatro. O que ele representa na sua vida?

Eu considero o teatro na minha vida um chamado, um chamado dentro do meu coração. Um chamado para autoexpressão, e isso porque desde criança, até onde me lembro, eu amava a representação. Devo isso também ao estímulo de meus incríveis professores, em especial Lourdes Telles, Selma Fogiatto, Ivone Takahashi e tantas outras que exerceram com maestria seus ofícios e ainda nos instigaram às artes, isso lá em Jacarezinho, norte do Paraná, onde nasci. Lembro-me que elas nos levavam para o C.A.T. (Conjunto Amadores de Teatro) para assistir espetáculos incríveis. Também a minha mamãe, que me levava para os Shows de Calouros ao vivo na Rádio Educadora. Nos Programas do Nilton Marques, eu cantava ao vivo na Rádio, e ganhava às vezes em primeiro, segundo, terceiro lugar. Também a minha irmã Lucilene, que nos levava para assistir os filmes mais incríveis no encantador Cine Iguaçu... Bons tempos. Além de tudo isso eu desenhava, dançava, pulava... Adorava o Palhaço, e muitas vezes o interpretava, era ele. Eu concordo com o Marlon Brando, quando diz que interpretamos desde pequenos. E de fato interpretamos, porque a interpretação está intimamente ligada a autoexpressão. Eu desenhava também, e por vários anos expus meus desenhos em Salões de Artes. Meu primeiro curso de direção aconteceu em 1985, no CAT ( Conjunto Amadores de Teatro), com o Luthero Almeida. Eu amava as Artes Cênicas e todo seu entorno.
Tive a sorte de ter nascido em Jacarezinho, cidade rica culturalmente. Só há um detalhe: trabalho desde os sete anos de idade, minha condição socioeconômica nunca me permitiu “escolher meus caminhos”, e então fui gradativamente “bancando” minhas escolhas. Entrei no Teatro Profissional com 20 anos, já em Curitiba. Meu primeiro trabalho com profissionais foi em 1991, no SESC da Esquina, na peça The Baile II, a convite do saudoso Zeca Wachelke. Ele era meu Professor de Música no Primeiro ano do Curso Superior de Artes Cênicas, na PUC Guaíra. Depois veio Thanahora da PUC e por aí afora.
O Teatro é minha vida: vivo e sobrevivo dele. Todos os dias eu agradeço a Deus por esta sorte. Porque o TEATRO PRA MIM tem significado de AMOR: amor por mim, pela vida pelo OUTRO. Tem significado de AUTOEXPRESSÃO, DE LIBERDADE. INGÊNUO, TALVEZ, MAS PREFIRO ASSIM.
O teatro oferece inúmeros desdobramentos em nosso crescimento, em todos os sentidos.
Teatro é contar histórias para outro!
Histórias com poesia e sensibilidade.
Emocionar o outro!
Mergulhar num vasto abismo de "n" possibilidades.
A arte de representação é mais antiga que a Grécia do Séc. V a.C . Mas foi na Grécia que se estabeleceu, e de lá reverbera para a eternidade.
Eu acredito em Teatro como um espaço que se estabelece para um ritual poético de transformação.
O Teatro é uma arte tão complexa que não existe nada pronto, estamos todos aprendendo, porque o teatro é uma ARTE VIVA, ORGÂNICA em MOVIMENTO como a vida.
Para fazer teatro, desde muito, tenho me desdobrado em mil, pois infelizmente não temos o reconhecimento devido. É e será sempre uma LUTA pelo AMOR, pois ao reunir todas as formas de expressão o TEATRO acaba sendo um AGENTE LIBERTADOR, sendo esta é a maior das armas, que se ancora na poesia, na reflexão, na evolução da alma humana.
Mas a depuração, o estudo, a dedicação se faz necessária, e logo temos de ser de AÇO para seguir em frente todos os dias.



Que tipo de obra de teatro você adora dirigir?  Musical, humor, drama, infantil?

Sinceramente Isabel, espetáculos que comuniquem de forma eficaz, que divirtam, que agucem o imaginário do público, podendo assim tender para qualquer gênero e formato. Estou numa caminhada, e de fato no futuro poderei responder com precisão sua pergunta. Por hora adoro todos os estilos que você citou.

Mas considero fundamental manter uma célula de estudo de linguagem, eu fiz e faço isso toda minha vida. Por isso sempre que posso participo de worshops e cursos. Eu considero realmente que estou aprendendo, sempre!

Dirigir é terrivelmente delicioso, desafiante. Eu amo os atores, e sou ator por isso. Entendo perfeitamente os ATORES, e acredito que o palco é o local supremo de habitação deles.

O palco (e entendamos também o palco na rua, o palco alternativo) é o local de supremacia máxima, onde deve habitar a da poesia, a palavra deve reverberar.

Thadeu Peronne - Foto do acervo de Thadeu Peronne

Você está procurando uma casa antiga que possa ser transformada em teatro. Fale sobre esse projeto.

Bem, esse projeto, essa ideia têm batido muito na minha cabeça. Estamos vivendo tempos estranhos. Eu quero habitar um CASARÃO ABANDONADO, PARA DESABANDONÁ-LO - seria isso ( risos) -  para instaurar nesse espaço TEATRO, DANÇA, MÚSICA, CINEMA, ARTES PLÁSTICAS E POR QUE NÃO GASTRONOMIA, CURSOS, etc. Quero um espaço onde se respire arte. Onde possamos aprofundar na dramaturgia. Onde possamos travar diálogos mil com a sociedade. Onde possamos fazer comédia de qualidade. Afinal, sem humor, tudo fica muito chato. Precisamos concretizar os sonhos estancados no inconsciente. A sociedade está sedenta de ARTE. Cada artista precisa do seu CASARÃO. Nosso ofício é para o OUTRO, sempre. É para transformar, divertir, fazer pensar o outro, mas pra isso, é preciso paz de espírito. Tenho uma infinidade de figurinos, cenários, ideias, artistas parceiros esperando esse local para ministrar oficinas, desenvolver dramaturgias, pesquisar linguagens cênicas, corporais etc, promover encontros, exposições, palestras, etc. Não que já não o façamos. Cada um têm feito do seu jeito. Eu aproveito as oportunidades para fermentar e fomentar meus anseios teatrais. Hoje temos um setor incrível de captação, composto de profissionais que trabalharão para que possamos captar recursos e tocar todos os projetos, viabilizá-los.
A Thadeu Peronne Produções cresce e amplifica suas potencialidades em diversas áreas.
Curitiba tem uma infinidade de residências abandonadas, literalmente. As pessoas me falam: “Está louco? Quem vai te dar uma casa?” Bem, eu acredito que essa casa, esse espaço virá. Acredito que os órgãos públicos tenham esses espaços ociosos. Eu não quero a casa para mim, quero o espaço e uns dez anos mais ou menos de liberdade para explorá-lo, talvez até mais, para outras gerações. Existem muitas famílias que não precisam mais de dinheiro. Famílias que detém muitos imóveis fechados na cidade. Peço que doem para os artistas. Temos vários exemplos pelo mundo, de Casas, Casarões, Depósitos, Galpões que foram doados para Companhias Teatrais, hoje de renome internacional.  Sou produtor. Tenho amigos que podem cuidar da parte jurídica. Eu quero que a população, que a cidade enfim, tenha acesso aos diversos processos de criação das obras.
Mesmo que nos doando o espaço teremos muito pela frente, para estruturá-lo, é uma luta. É para todos.
Tenho certeza que conseguirei.
Claro que além de doar, continuaremos precisando que alguns espetáculos sejam cobrados para sua manutenção e claro, pagar os artistas envolvidos.

Thadeu, a equipe  de As Aves e o Produtor Márcio Roberto do CCBoqueirao
Foto de David D'Visant


Qual é a reação do público? Com a internet o teatro perdeu espectadores ou não houve mudança expressiva?

Houve e ainda estamos vivendo esse processo.
A internet é uma ferramenta incrível! Mas é preciso saber usá-la.
Tudo é muito rápido.
Hoje você tem muito entretenimento, e isso divide a atenção. Porém o teatro sempre existirá. A febre da internet passará e o lugar tão sagrado do ator, o palco (e aqui também pode ser qualquer outro espaço onde habite um espetáculo ou obra de arte) voltará ser o foco. Penso que isso já esteja acontecendo. As pessoas ainda estão confundindo ator com celebridade.
Porém eu ainda não sei lidar com a síndrome do smartphone... É preciso desligá-lo numa apresentação e se desligar dele neste período, tanto por sacralização quanto por educação somente.
Hoje você tem espetáculos que lotam e você não vê uma divulgação na mídia tradicional. Por que isso acontece? Porque as pessoas se comunicaram pelos inúmeros canais de comunicação dentro da internet. Uma loucura.
O público está atento. No geral eu me divido entre o método tradicional de divulgação e os mais modernos, mas penso que muitos ainda não entenderam o fenômeno INTERNET e estão nadando na contramão. E aqui incluo tanto quem administra empresas de comunicação direta com o público quanto os artistas criadores.
É preciso ser generoso, ainda existe muita mediocridade e falta de entendimento quanto a DIVULGAÇÃO TEATRAL nos veículos de comunicação mas até aqui só tenho a agradecer porque tenho boa relação com várias empresas que estão abertas e abrem caminho para a divulgação teatral.
TEATRO deve ser apoiado e fomentado SEMPRE.



Thadeu, você está ministrando aulas de teatro? Quem pode participar? Qual a idade dos alunos?

Olha eu sempre abro minhas oficinas teatrais, que são sazonais, não porque eu quero assim, mas por ter que me adaptar ao sistema e a intensidade que cada trabalho exige na minha vida. Adoro dar aulas, e acredito que meus alunos, aqueles que me oportunizam dividir com eles o que aprendi, melhoram suas vidas consideravelmente, e como artistas evoluem muito. São oficinas de três a quatro meses. Oficinas livres. Nelas os alunos se divertem. Se conhecem. Ampliam suas percepções e lapidam sua autoexpressão.
Também ministro aulas individuais.
Não existe idade para se fazer teatro. No momento ofereço oficinas para adultos.
Oficinas de autoexpressão, oficinas para o mundo corporativo também, é notório a melhora.


Thadeu Peronne na peça Amorexia 


Fale um pouco do Festival de Teatro.

Veja, Festivais de Teatro precisam acontecer em todas as regiões do Brasil, seja de grande, médio e pequeno porte. Precisam acontecer e precisam de apoio para isso. Precisam de incentivos. Patrocínios são necessários. Festivais aconteciam na Grécia antiga e eram sensacionais. Os Gregos passavam dias assistindo espetáculos ao ar livre.
Algo absolutamente incrível! Eu acompanho o Festival de Curitiba desde seu nascimento, vi espetáculos incríveis, participei de mesas redondas que marcaram a minha formação com gênios como Paulo Autran, Eva Vilma, Walderez de Barros, Plínio Marcos entre outros.Também participei como ator em espetáculos de rua, da caixa-preta, etc, espetáculos de amigos e depois com meus próprios espetáculos. Tudo sempre foi muito incrível, porque apesar de todas as dificuldades, sempre participo com intensidade e amor e porque faço o que amo. Participei de diversas edições do Fringe. É é um barato. Teatro é um LOCAL DE ENCONTRO, de TROCAS. TEATRO é para o PÚBLICO. Os espaços precisam ser lotados. Os artistas precisam se encontrar e debater sobre seus trabalhos. Quanto mais, melhor. Participar de Festivais é sempre maravilhoso. Em 2015 e 2016 tive a oportunidade de novamente ser jurado em Festivais. É incrível ver o quanto a juventude se entrega para os trabalhos, superando tantas dificuldades. O Festival de Curitiba é privado e um dos maiores do Brasil. Nas vezes que participei com toda a equipe de artistas parceiros foi muito bom, vencemos inúmeras dificuldades para estar lá.  Este ano cancelei nossa participação, estaríamos no Shopping Novo Batel, Teatro Paulo Autran com três espetáculos em diferentes horários: As Aves de Aristófanes e AmorexiA – Tragicomédia Musical Num Cabaré, ambos sob minha direção, e ainda produziria Ao Vento Ar Puro, da Argentina. Realmente as condições e o momento não ajudaram. Meus atores e a equipe estarão em diferentes outras peças.  Em 2018 pretendemos participar do Festival. É tão importante esse encontro. Essa alegria.



Quanto demora em escolher a peça e fazer a montagem? 

Depende. É muito relativo. Pode demorar pouco ou muito. Tem processos que são longos, cujo resultado final supera todo o sacrifício. Já trabalhei com diretores que ficaram um ano ensaiando uma peça. Eu saí. E já trabalhei com diretores que montaram espetáculos superpotentes em vinte dias. As Aves de Aristófanes demoramos cinco meses para adaptar o texto: dois de ensaio com a equipe para cumprir um mês de temporada. Cada peça de teatro tem seu tempo, as vezes temos pouco tempo, mesmo sob intensa pressão conseguimos dar conta do recado. Eu amo Curitiba, sou e serei sempre grato à essa Cidade e à minha classe. Tantos grandes diretores e artistas que fizeram muito pelo nosso teatro. Não quero ser reconhecido somente depois de ter deixado esse plano.
Já fui premiado por aqui. Foi muito bom.

Thadeu Peronne - Peça "As Aves"


O que é mais difícil para o diretor? Escolher os atores? A música? A peça? Os figurinos? O cenário? 

O processo criativo às vezes é sofrido, mas deve ser sempre prazeroso. Cada obra nos faz suas exigências. Dirigir um espetáculo é montar um mosaico, embaralhar cartas e reagrupá-las fazendo escolhas determinantes que influenciarão a obra. Desde de sua sonoridade, seu resultado pictórico, sensorial. Então o mais importante é formar uma boa equipe. Teatro é o local do ATOR, escolher os atores certos faz parte de um bom começo. Atores inteligentes, que estudam, se reciclam que são generosos,  profissionais que não tenham preguiça e caminham firmes comprometidos com a obra.
Durante todo o processo não considero nada fácil, principalmente quando você vai limpar a peça e tem que dispensar cenas inteiras, fazendo cortes para que o espetáculo chegue potente, e quando é visto, reverbere na cabeça do público.
Toda obra sugestiona, faz perguntas e não dá respostas.


Thadeu você é ator, diretor e produtor. Qual é a função que mais lhe agrada?

Atualmente tem me agradado muito dirigir. Mas amo atuar, sempre amarei. O ator é o sujeito mais feliz do teatro. Mas no caso de ter de estar em todas as funções, me entrego com muito amor e dedicação a todas elas.
Em AmorexiA eu dirijo, atuo, divulgo e ainda produzo, fora que ainda saio por aí panfletando também. Todos deveriam fazer isso. É importante estar próximo do público.


Thadeu Peronne


Que conselho daria para os iniciantes da área de teatro?

“DESISTAM ENQUANTO É TEMPO”!
(risos) Em primeiro lugar entenda e esclareça sua família que TEATRO não é TELEVISÃO, e ESTUDE muito. Visite Museus. Leia muito. Crie outro tempo pra você. Fuja das banalidades. Trabalhe seu corpo. Cuide da saúde. Dance e divirta-se muito para poder se divertir em cena também. Aprenda a controlar o EGO. Não se compare a ninguém. Busque sua alteridade. Ame seus antepassados. Estude muito MITOLOGIA Grega. E muito mais.
É preciso ser de AÇO para seguir em frente de cabeça erguida e saber se guiar quando estiver construindo uma OBRA de ARTE.
Entenda que Dionísio não é somente o deus do vinho e sim da loucura também. Que Apolo os guie!

Isabel Furini e Thadeu Peronne

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Editor da Revista Carlos Zemek

Curador e Artista Plástico.
Membro da Academia de Cultura de Curitiba - ACCUR.

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