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» » » Francisco Gomes: Meu sangue Circula em Saturno e outros poemas


Arte Digital de Isabel Furini


MEU SANGUE CIRCULA EM SATURNO


Meu sangue circula em Saturno
na exata hora do sonho esquecido.

Hoje os pássaros cantam em vão
no subúrbio do amanhecer atrofiado
                                                    e frio.

Um fio de sol
violenta a fresta da janela
(sou obrigado a apertar as pálpebras).
O cheiro da relva
verde
misturado ao cheiro soturno
dos revoltos cabelos do desespero
conduz meu corpo ao medo
, ao desejo
, ao horizonte taciturno dos segredos...

Meu sangue circula em Saturno
quando os girassóis murcham
sob a chuva melancólica da solidão.

Caminhar caminhar caminhar...
Thoreau me acompanha num rumo
sem rumo...

(Road movie! Road movie! Road movie!)
Meu sangue circula em Saturno
quando a saudade ancora
e aguarda a despedida eterna
no cais do olhar obscuro...

Francisco Gomes



BELA É A FACE CRUEL DOS DEUSES
Bela é a face cruel dos deuses
, onde posso me espelhar
e sentir Narciso nos lábios.

Nenhuma alma sai viva
desse inferno
de coleiras alaranjadas e azuis
, pois bela é a face cruel dos deuses.

Olho para o caquético tempo
– rizotomia percutânea –
e mergulho na dor
da origem facetária humana
cheia de mistérios
feito as filhas de Elêusis
, pois bela é a face cruel dos deuses.

Das janelas do acaso
observo o ermitão-mensageiro do apocalipse
, com cordões de sujeira
grudados no pescoço
, ditando o gosto
no paladar dos olhos do eclipse
, pois bela é a face cruel dos deuses.

Ainda
das janelas do acaso
vejo os saqueadores de almas
, viajantes das tormentas...
Percebo o quão é inútil
ser um deles
, pois bela é a face cruel dos deuses...

Francisco Gomes


Quadro de Carlos Zemek


MEUS OLHOS ÁCIDOS NÃO MENTEM



Meus olhos ácidos não mentem.
As flores sempre perdem
a força bruta da beleza.

A suavidade agridoce
, nas coisas
, há tempos me abandonou.

Agora sou
fruto da escassez
, ciente dos experimentos ocres
das ilusões.

Meus olhos ácidos não mentem.
Nossas vozes distantes
impregnam o ar de lamurialâminas.

A volúvel geometria
, das coisas
, já não perpassa meu olhar alquímico.
Agora sou
caçador de mitos
, desfibrando o inaudível dos abismos...

Francisco Gomes



CARREGO COMIGO

Carrego comigo
, além do peso inevitável da morte
, a incoerência de fazer poemas
– não se sabe para quê ou para quem –
entregues à própria sorte.

Carrego comigo
uma tristeza infinda
como quase um abrigo em ruínas
(único lugar disponível para a autoflagelação do íntimo).

Enquanto passeio pelos enganos perecíveis
, as lagartas cumprem o seu papel
independentemente dos inseticidas...

Francisco Gomes




Francisco Gomes (cor)rompeu a existência em 1982 no arcaico município de Campo Maior (PI), mas fixou raízes na provinciana Teresina (PI), onde habita desde os sete anos de idade. Iniciou as faculdades de História e Letras/português, abandonou ambas. Publicou os livros Poemas Cuaze Sobre Poezias (FCMC - 2011), Aos Ossos do Ofício o Ócio (Penalux - 2014) e Face a Face ao Combate de Dentro (Kazuá - 2016). É autor/editor do blog PULSO POESIA (www.franciscogomespoiesis.worpress.com). Tem poemas publicados em revistas, coletâneas nacionais, jornais, blogs, sites, muros etc. Admira a carência orgulhosa dos gatos e a tranquilidade dos jabutis. Adora fígado acebolado.
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Editor da Revista Carlos Zemek

Curador e Artista Plástico.
Membro da Academia de Cultura de Curitiba - ACCUR.

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