Katia Velo: Reflexões sobre o Sagrado na Arte

As imagens sempre exerceram poder sobre a nossa imaginação

Fotografia de Katia Velo
A figura de um anjo tem o poder de nos remeter ao divino, a algo superior a nós. Ao longo do tempo, segundo a literatura e as artes visuais, seres alados fizeram parte da iconografia do homem nas suas mais diversas formas. Somente por volta do século XVIII, os artistas começaram a pintar figuras com “visões pessoais”, antes disso, os artistas consideravam-se fieis à obra de Deus, então, dar um toque pessoal a um anjo seria uma heresia.  A religiosidade foge à razão ou à ciência, portanto tem um papel significativo, sendo interpretada e justificada de acordo com a crença de cada um.

O sagrado é inexplicável, extraordinário, imaculado. Na Idade Média, durante a inquisição, qualquer pessoa que não fosse aprovada pela Igreja Católica, tinha como destino inúmeros castigos e muitas vezes o seu fim era a fogueira. Felizmente muita coisa mudou, mas certamente os símbolos religiosos têm uma grande influência visual. As imagens de figuras como anjos e santos amplamente representados durante o Renascimento foi de fato relevante na história da arte e influenciaram e influenciam a vida do homem contemporâneo.

Imagens sacras possuem ainda grande poder sobre nós, cristãos ou não. Em 1929, portanto há 88 anos, o artista belga René Magritte escreveu logo abaixo de uma imagem de um cachimbo “Ceci n´est pas une pipe”, ou seja, “Isto não é um cachimbo”. Imagem é uma representação, não a coisa em si. Temos que estar atentos para não vermos, ou dar significado demais, aquilo que é apenas uma representação.  Os anjos e demônios estão mais dentro de nós do que fora. Independente de crença ou religião, é inegável que amor deve ser o nosso Norte, nada, ninguém e nenhuma religião pode estar acima deste sentimento quando puro e verdadeiro.

Katia Velo

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