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» » V. Evans: O dilema do algodão doce (conto)

O dilema do algodão doce

Depois de muito observar a moça que se sentou na sua frente na praça, o rapaz decidiu se aproximar e confessar seu interesse. Ela comia um enorme algodão doce cor de rosa e ele achou que esse seria o melhor tópico para puxar assunto. Antes de ir, no entanto, preferiu ensaiar mentalmente o que diria:

"Oi, meu nome é João, eu estava te vendo comer esse algodão doce e fiquei com fome, me dá um pouquinho?"

Levantou-se, estufou o peito, deu o primeiro passo até a moça. Depois voltou um passo, sentou-se novamente e pensou de novo sobre o que diria. Achava que se começasse dizendo que ficou com fome ao vê-la comer ela ia pensar que ele era esquisito. Ele tinha fome dela, de ouvir como era sua voz, de saber qual sua opinião sobre o mundo. Pensou mais um pouco:

"Oi, eu sou João, também adoro algodão doce, o que mais será que nós temos em comum?"
Quadro de Liliana Bruquetas
Levantou-se, estufou o peito, deu o primeiro passo até a moça e ficou pensando. Lembrou-se de um post da internet que era engraçadinho e ela podia gostar, começar com uma piada parecia uma boa ideia. Voltou, se sentou novamente, pegou o celular, procurou o post por algum tempo:

"Oi, eu sou João, e você é o google, né? Porque tudo que eu procurava encontrei em você!"

Dessa vez nem se levantou, começar com uma cantada dessas não traria vantagem nenhuma. Preferiu voltar ao começo, tentou focar no algodão doce, uma ideia simples, concreta, pensou:

"Oi, eu te vi aí comendo esse algodão doce, toda concentrada, e pensei, que menina linda, vou lá me apresentar, meu nome João, e você como se chama?"

Levantou-se, ficou olhando a moça, depois sentou-se de novo. Pensou:

"A gente nunca sabe em que esquina vai encontrar o amor da nossa vida, talvez se fossemos mais corajosos, talvez se déssemos mais chance para as pequenas mensagens que o destino tenta nos enviar, encontraríamos a felicidade. Eu não estou tentando te convencer que eu sou a sua felicidade, mas talvez eu seja! Você gosta de algodão doce e eu também, você gosta desse parque e eu também, você perde alguns minutos do seu dia só pra comer algodão doce, sem estresse, sem celular, e eu quero muito ter uma pessoa como você na minha vida. Prazer João."

Desta vez não se levantou. Ficou apensa pensando:

"É claro que eu não posso ir até lá e fazer um discurso sobre amor e felicidade, eu nem sei quem ela é, talvez se eu só disser oi as coisas se desenvolvam naturalmente."
Começou a reformular o que diria quando ela se levantou, jogou o que restava do algodão doce no lixo e saiu chupando os dedos.

Ele olhou as horas no celular e a observou se afastar aos poucos. Talvez se a encontrasse em um desses sites de namoro eles tivessem uma segunda chance.
Nesses tempos talvez já não exista espaço para relacionamentos espontâneos.



V. Evans é o pseudônimo de Viviane Furtado, autora de Down the Road. Apaixonada por livros desde a infância, aprendeu a ler com três anos de idade e escreveu o primeiro livro de poesias aos sete ano. Nascida em janeiro de 1989 na Bahia, mudou-se para São Bernardo do Campo_ SP, onde vive, graduada em Pedagogia, cursando uma especialização em Literatura, música e ensino da arte, trabalha como professora de inglês, depois de conhecer a Inglaterra, viajar para o Chile, seguindo sua banda de rock favorita, passar pela Irlanda, onde conheceu o melhor verde do mundo, e passar uma temporada descobrindo as belezas do Brasil, decidiu se dedicar intensamente à escrita.
Você pode encontra-la no Skoob (https://www.skoob.com.br/autor/19020-v-evans).
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Editor da Revista Carlos Zemek

Curador e Artista Plástico.
Membro da Academia de Cultura de Curitiba - ACCUR.

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