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» » Cassandra Joerke - Entrevistada por Isabel Furini

Cassandra Joerke
Nossa entrevistada é Cassandra Joerke criadora do Projeto Chuva Poética. Cassandra é farmacêutica industrial mas sempre trabalhou com organização e promoção de eventos em diversas áreas. Desde 2016 dedica-se a eventos culturais como o Minha Arte no MON que reuniu 250 artistas, designs e escritores durante 4 dias no Museu Oscar Niemeyer, exposições, lançamentos, aventuras literárias, entre outros. É a produtora cultural e curadora da Aliança Francesa Curitiba, Biblioteca Pública do Paraná, Gelarteria, Shopping Jardim das Américas, de artistas e autores independentes.

Quando iniciou o seu interesse pela poesia? 
Quem não ama a poesia? Lembro-me de uma coleção de pequenos livros, com capa de madrepérola, lindos por fora e encantadores pelo conteúdo que acompanhou minha infância e juventude: poesia clássica! Brincávamos de sarau, recitando poemas de Casimiro de Abreu, Drummond, Castro Alves... Depois, conheci muitos autores atuais e conhecidos, desconhecidos e tão talentosos quanto e o amor só cresceu.


Quais são seus livros de poesia preferidos?
Sou muito eclética, experimento tudo desde tradicionais aos mais inovadores. Poesia é estado de espírito, devemos estar abertos!

Fale sobre a modalidade poética que considere mais interessante: Soneto, verso livre, haikai, trova, etc. 
Adoro os gêneros que são concisos, onde deve se dizer muito com muito pouco como haicais e trovas, mas nunca deixo de me experimentar os demais. E essa diversidade poética que me encanta.

Chuva Poética na Aliança Francesa de Curitiba -Fotografia de Cassandra Joerke
Como surgiu a ideia do projeto Chuva poética? Você tomou como modelo algum projeto? 
Durante a montagem do evento Minha Arte no MON, em 2016, percebi a dificuldade que escritores tinham de espaços e eventos valorosos. Neste evento, que seria inicialmente somente de arte e design, juntamos 30 escritores num espaço de destaque e com todo o carinho devido: Minha Escrita no MON. Afinal, literatura é arte também, senão a mais importante delas, na minha opinião. E a arte literária é a que mais pode modificar o ser humano!
Aí conheci muitos escritores e meu amor cresceu. Decidi que organizaria algo pensando neles. Mas o que fazer? As pessoas não gostam de ler na sua maioria, ainda mais no nosso país... Precisava ser algo diferente, atrativo, inovador, interativo. Primeiro defini que seria a poesia, pois não há quem não goste de poesia: pura, na música, em todo lugar há poesia! Mas como fazer? Não queria nenhum formato padrão, comum, desgastado. Só os livros não teriam o efeito que eu pretendia. As pessoas precisavam ser tocadas por poesia, literalmente.
 Um dia, conversava com minha filha, na época com 9 anos, minha companheira de ideias, na ânsia de encontrarmos um formato quando ela lembrou do prazer de tomar um banho de chuva! – Quem não gosta de se molhar na chuva? perguntou ela. Criança sempre quer se molhar, não importa o clima. E por que não uma chuva de poesias? Fiz uma busca intensa e não havia nada igual em lugar algum. A etapa seguinte foi estruturar a apresentação disso, como tridimensional, interativa. E também organizar a participação e valorização dos autores, objetivo maior do projeto.
Nasceu assim o projeto Chuva Poética! Com a intenção explícita de banhar, tocar, emocionar, despertar o que há de melhor em cada um de nós através da poesia.


Chuva poética já está na quinta edição, comparando a primeira e a quinta edição o quê mudou? 
Meu entusiasmo!!!! Sempre maior! As edições são diferentes, únicas. Cada local, cada proposta é especial. A repercussão e o alcance ampliaram, uma a uma.

Participam poetas de todos os estados do Brasil ou só do Paraná? 
De todos os estados e até de fora do Brasil.
Chuva Poética na Aliança Frances de Curitiba - Fotografia de Cassandra Joerke

Qual é o objetivo da Chuva Poética.
A Chuva Poética tem a intenção explícita de banhar, tocar, emocionar, despertar o que há de melhor em cada um de nós através da poesia, valorizar a literatura como arte indispensável ao ser humano, enaltecer os escritores como profissionais imprescindíveis a este mundo. Por isso, sempre há uma contrapartida para os participantes: feira literária, sessão de autógrafos, lançamento. Não há curadoria sobre os poemas e nem restrições aos escritores. Tanto pode participar o que tem livros publicados e é conhecido, como aquele que escreve timidamente e nunca mostrou sua produção a ninguém. O visitante é convidado a adentrar a Chuva, a permitir-se ser tocado por toda a poesia, a ler os poemas que quiser, a coletar os que lhe tocam e levá-los para casa como um prêmio.

Qual é a reação dos visitantes? A maioria realiza a leitura dos poemas? 
Encantamento e entrega total. Eles se permitem a experiência sensorial que a Chuva demanda com muito prazer. As crianças gostam de correr entre os poemas, rindo, livres neste mar de poesia. Os jovens já registram, fotografam, publicam, coletam vários poemas com os quais se identificam. E os adultos se perdem de todas as maneiras: na leitura, no tempo, na entrega total. É emocionante observar o que acontece, como cada um reage, o efeito que a Chuva tem sobre cada um – relaxamento, reflexão, abstração, reencontro, alívio. Muitos saem mudos, agarrados ao poemas que lhes tocou, olhos úmidos...objetivo alcançado!

Cassandra, é comum ouvir que sobre a falta de interesse das grandes editoras em publicar livros de poesia porque as vendas não são muito expressiva – com exceção dos grandes nomes como Ferreira Gullar, Drummond de Andrade, Paulo Leminski, Helena Kolody e outros nomes reconhecidos pela crítica. Na sua opinião vale a pena as grandes editoras começar a investir mais em poesia? 
Sempre valeu e sempre valerá. Infelizmente estamos vivendo uma época literária muito ressequida, pobre de valores e muito ligada às mídias e ao retorno comercial. Poesia é indispensável! Literatura é indispensável! E devemos abrir os olhos para os novos. Têm muitos escritores excelentes ainda anônimos. A Chuva Poética é uma iniciativa para mudar este meio.

Fale um pouco dos projetos para 2018. 
Já temos uma agenda bem bacana para este ano. O ano começou com uma Chuva Poética de verão, na Gelarteria Guaratuba, no litoral do Paraná que foi demais! Ainda teremos edições na Biblioteca Pública, na Aliança Francesa, na Fábrika e outros lugares.


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Editor da Revista Carlos Zemek

Curador e Artista Plástico.
Membro da Academia de Cultura de Curitiba - ACCUR.

1 comentários

Cassandra Joerke - Entrevistada por Isabel Furini
  1. Boa noite, excelente entrevista, parabéns!A Chuva Poética na Aliança Francesa encanta o olhar e coração, parabéns! Abraços, Vanice Zimerman.

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