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» » Jaime vieira: Confissões nos Muros - e outros Poemas


Poema de Jaime Vieira - Arte Digital de Isabel Furini
CONFISSÕES NOS MUROS

O espaço que eu tenho
ainda é pequeno para mim.
A porta que me espera
ainda está fechada.
As palavras que não vêm
permanecerão guardadas,
envelhecidas feito vinho, talvez
para se embebedarem
e picharem um muro qualquer da minha cidade,
na calada da primeira madrugada que vier.

E, enquanto as palavras não vêm,
uso as que conheço.

O espaço que eu tenho
é para as palavras
que digam o que ainda sinto por ti.
Acreditas, então, em mim,
quando nos muros escrevo sob o teu nome
palavras simples assim:
"Ainda te amo,
volta pra mim",,,

Jaime Vieira, do livro
"Reencanto II"


OUTONO, AGORA

Feito troncos secos abandonados
ergo os braços desprotegidos aos céus,
na ânsia tola de lembrar
todo o verde do meu passado...

Em forma de galhos espinhentos,
crio interrogações contra o tempo,
enumerando o fim e o começo
de uma nova estação...

As folhas continuam caindo,
anunciando os outonos que trago dentro mim...
Então ainda ouço o canto dos pássaros,
crio forças no primeiro broto de esperança
que do meu coração surge,
e desabo em espera...

E os ventos frios do inverno
vão chegando,
vão varrendo
e, querendo ou não,
tudo sem demora vai para o chão.
E eu, mais calado ainda, recolho uma ilusão
e preparo no meu pensamento
os frutos que certamente
justificarão a razão do meu viver,
aqui e agora,
ou em qualquer estação
que, por certo, pelo meu coração,
lá fora, ainda me espera...
mesmo que seja ainda outono,
aqui e agora...

Jaime Vieira do livro "Outonos"



DECEPÇÃO

Esbato-me num bailado fosco,
onde cores prometem uma eternidade.
Num painel de ilusões desfeitas,
procuro em linhas tortas as cores da verdade.

Carrego o peso dos sonhos ilusórios,
sobre ombros cansados e pés descalços,
caminhando asfixiado numa estrada
entre presenças frias – frias.
São vozes desdentadas,
simulam roucas, palavras vazias.
Curvo-me à procura de minha sombra,
perdida entre muitas sombras escuras.
Um grito louco aos céus, recompõe-me, diria
Deus! Não, não era assim que eu queria!

Jaime Vieira
Do livro: “Desencontros”



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Editor da Revista Carlos Zemek

Curador e Artista Plástico.
Membro da Academia de Cultura de Curitiba - ACCUR.

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