Jandira Zanchi: Diáspora e outros poemas


DIÁSPORA

luminescências, esses cristais
pálidos e gélidos
perfumados de manhãs
sem gritos e odores

apressados de outonos e altares

são um porto branco
e sem encruzilhada

um condor de fartas plumas

........................envergado o canto e sua diáspora.

Quadro do artista plástico Davi Faustino
 FUNESTO

franciscanas moratórias
(tão nulas quanto teus dias sem glória)
crescendo ainda inválidas
no pálido sol desse pátio virgem
e funesto
corredor
além mar
tempo diverso
conexões recomeçados

é sempre o tempo do escorrer......

Jandira Zanchi



MÉTRICO 

aleluia para os fora da lei ...
uma terra de ocasos
um tempo sem heróis

fronteiras e conexões
desperdiçadas

ao pranto orvalhadas

nada mais cura ou expia ou recupera
agora cada segundo é dividido em frações
fascículo que flamejam e encantam
um sol e sustenidos

harpas de fundo anunciando
as querências e mesmices

de sempre...

ainda o velho humano e sua interrogação
sangrada e subjetiva
moída do raso dos dias
ardida de alguma febre das noites

pois, ainda

o mesmo fraturado ser nas portas – lilases -  das inconseqüências

ainda aquele que não se delineou
que não desenhou os vértices de sua formatação

esse mesmo em cenários ocultos e mordidos  e vorazes
é o que espia e já não crê nas lágrimas de nenhuma genuflexão

esse ainda, o que não se sabe
e se desorienta e se permite joguete e jogador

ciente,entretanto, de todas vírgulas e exclamações do tempo
medido métrico e insensível.

Jandira Zanchi


Jandira Zanchi
Autora dos livros A janela dos Ventos (singularidade,2017) Área de corte (Patuá, 2016) e Gume de Gueixa (Patuá, 2014) e Balão de Ensaio (Protexto, 2007), Jandira Zanchi é curitibana, licenciada em Matemática pela UFPR, Fo profissional de magistério em faculdades, colégios e cursos por mais de 30 anos.  É uma das editoras de Amaité poesias & Cia.

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