Igor Veiga (Perigor): Meu Amor - e outros poemas


Meu amor

Meu amor não é substância
e definitivamente não é substantivo.
É invariável e independente,
independente do que aconteça.
É de encontrar e perder a cabeça.
Antes de tudo é advérbio
que intensifica o sentido
de estar vido e do verbo amar.
Está sempre em movimento:
meu amor é vento,
meu amor é mar...

Igor Veiga (Perigor)

Escultura de praça pública - Kirkland-  Estado de Washington
Fotografiad e Isabel Furini
A arte de ficar

Fiquei isento
de sentimento
quando o amor se foi
feito as horas
no tempo
ou as nuvens
ao vento...

Fiquei insensato
diante do fato
de que ninguém
liga para quem
está ao lado
e que é preciso amar
para ser amado...

Fiquei insatisfeito
quando o amor
não tinha jeito
para os que amam
e despertam mais cedo
da ilusão de um sonho bom
para um abismo de medo...

Fiquei insurgente
ao notar a triste solidão
no rosto de tanta gente
que simplesmente vive em vão
tentando agradar quem não merece
o mínimo de atenção ou de amor,
enquanto a vida segue sem cor...

Fiquei surpreso
ao provar a dor
e a delícia da química
do beijo perfeito;
capaz de (a) trair e libertar
o amor adormecido ou preso
no fundo do (res) peito.

Igor Veiga (Perigor)



A salvação

Todos anseiam por salvação...
Nem todos aceitam Jesus.
Para alguns a salvação
é apenas uma expressão.
Já para quem se diz cristão,
Jesus é a salvação
nessa ou em qualquer língua...

Mas qual será a opinião
do mendigo à míngua
- sujo, judiado, maltrapilho,
em coma na cama
de cada esquina?
Qual será sua visão
sobre Jesus,
sobre a salvação?

Talvez espere por Jesus (ainda)
no vão da solidão do dia a dia
e com certeza deve ver
- enquanto a vida não finda -
a salvação líquida e etílica
numa garrafa de pinga...

Igor Veiga (Perigor)



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