OUTRO NATAL
Na janela tonta
das minhas ilusões
boto os sapatos
de muitas tardes,
mais vazias ainda.
Outra vez
uma decepção
em alarde.
Outra vez
um dezembro
me invade.
Outra vez chega o natal
e parece que chegou tarde...
Jaime Vieira
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| Fotografia de Isabel Furini |
O NATAL
Amparados em meras fantasias
longe do sentido verdadeiro
os adultos sem querer
vão tomando o Natal das crianças...
Lojas infestadas de luzes
ordenam: comprem! comprem!
Crianças de olhos compridos
dilatam seus olhares
carentes e cumprem
o que determinam
o seus sonhos inocentes.
Uma nuvem escura que
restou do final da tarde
abotoa uma lua clara
no casaco azul escuro
do firmamento.
Estrelas menores
se agrupam e anunciam
a véspera do natal
e sorridentes esperam
o dia 25 chegar.
E o Menino Salvador do mundo
que está para nascer
se mexe no útero
da terra mãe
desde o amanhecer.
E a humanidade parece que
de repente sente
as dores do parto,
sem querer.
Nos cabelos brancos
do velho papai Noel
equilibra-se a certeza
de mais um ano vivido
de mais um plano falido
de mais um dever,
agora cumprido.
No entanto no brilho
dos olhos do Papai Noel
permanece escondida a
profundidade dos grandes enganos:
O Natal já não é o mesmo,
o Natal já não é mais das crianças...
Enfim é Natal,
as pessoas apressadas
que viviam agitadas
se acalmam – se unem
e se perdoam, por nada.
Agora confiantes esperam
uma vida melhor
sem diferenças,
sem indiferenças,
sem mágoas,
nem lágrimas...
Quando o manto da noite
cravejado de estrelas cobre a terra,
a criança debruçada na janela, olha para rua
e no alto vê a lua,
imagina e sente
nessa noite envolvente
uma doce esperança
que lhe convida docemente a colocar
os seus sapatos vazios
nas janelas das suas ilusões e novamente
esperar como presente
um Natal diferente
um Natal no seu verdadeiro sentido...
Se possível urgentemente
no coração da criança que ainda sou
e no coração
de toda a gente!
Jaime Vieira

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